O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.
Carlos Drummond de Andradesexta-feira, 10 de maio de 2013
Eu não existo
Eu não existo sem você
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
Vinícius de Moraes
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
O amor , quando se revela
O Amor
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar
Canção das Mulheres - Lya Luft
Canção das mulheres
Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Bom de papo não é quem fala muito. É quem tem o que falar.
E sempre que se encontra alguém assim, o tempo voa.
E as horas se perdem em meio aos mais interessantes assuntos.
Acima de tudo, o bom papo tem opinião.
A sua, própria, formada a partir da informação e da reflexão.
Porque, antes de ser um bom conversador.
o bom de papo é um ótimo leitor. Que sabe o que quer ler.
Que sabe encontrar informação isenta, correta, imparcial.
Que sabe a diferença entre informação e opinião.
Porque o bom de papo sabe que o papel de uma publicação,
não fazer sua cabeça. É abri-la.
Saber ouvir é uma arte . Que nem todo mundo domina.
Mas se engana quem pensa que a culpa é dos ouvidos.
É da mente.
Uma mente bem treinada entende o que os ouvidos escutam.
Desenvolve a capacidade de discernir.
Absorve a informação para depois interpretá-la .
E isto é o mais importante: o tipo de informação.
Se for imparcial ,isenta e correta é combustível.
Se for tendenciosa é veneno.
Uma mente bem treinada é uma mente aberta.
Capaz de ouvir outras opiniões.
E é assim, ouvindo ,que se constrói um espírito crítico.
É assim, ouvindo, que se faz uma democracia.
Oferecendo, sempre, um conteúdo plural.
Que em vez de definir um caminho, abre muitos.
E deixa os próprios leitores escolherem o seu.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Bahia quer dizer música
Da tropicália a João Gilberto, de Raul Seixas a Ivete Sangalo, de Carlinhos Brown a Dorival Caymmi, Tom Zé, o tempero baiano garante boa parte das melhores canções que o Brasil conhece.
Tirar a Bahia da música brasileira seria o mesmo que acabar com ela. A Bahia é a música brasileira. . Mesmo esquecendo alguém, esse é um time que vem mudando a forma como se faz música no Brasil Você pode argumentar que a bossa nova nasceu no Rio. Mas experimente tirar o baiano João Gilberto da bossa nova. Ou que o visual de baiana - technicolor de Carmen: não sobrará Carmen nenhuma, embora a Pequena Notável tenha sido uma tremenda artista ; mesmo sem os balangandãs.
Deve ser a água os coqueiros, o dendê, a alma africana O que pode explicar tamanha profusão de talentos num estado guiado e queimado preguiçosamente pelo sol? Por essa e outras a música baiana não sai o nosso inconsciente ela tem a ver com o país que veio lá de trás, aquele que as caravelas enxergaram e o suor escravo ajudou a pavimentar.
Assis Valente compôs muitas música que parece não ter autor, como "Cai, Cai, ~Balão e" Camisa Listada". Seu samba" Brasil Pedreiro" fez a liga entre o passado e o futuro da música baiana .e brasileira por extensão "Brasil espantai vossos pandeiros/ iluminai os terreiros/ Que queremos sambar."
Dorival Caymmi - Músicas que falam de pescadores, tragédias do mar, mulheres cheias de vontade, tem o tanto de nobreza e o tanto e preguiça que completam a Bahia
Da mesma forma que as suas canções evocam tristeza eterna de quem trabalha com a imensidão do mar, também falam das coisas com uma brejeirice manhosa que acabou grudando no estereótipo do brasileiro.
A bossa nova, o movimento que é a cara do Brasil para os estrangeiros, nasceu na voz quase sumida de João Gilberto. Autor de meia dúzia de canções com títulos enigmáticos, ele transforma as canções que toca em propriedades particulares. Os sambas baianos que desenterra parece que foram feitos todos para ele. Em matéria de Bahia João dá o ritmo.
Tropicália- segundo movimento que sacudiu a música brasileira. .O que é a tropicália senão um agrupamentos e baianos talentosos, com eventuais companheiros de viagem? Caetano, Gil, e Tom Zé sempre estiveram no olho desse furação musical que sacudiu a caretice da música brasileira dos anos 60 usando duas armas poderosas: o novo e o velho, o pop e o samba, a guitarra e o violão. A inteligência da tropicália foi mostrar aos brasileiros que era possível ser do Brasil e do mundo, ainda que tivesse nascido no interior da Bahia. E ainda havia Gal. Ninguém chegava perto daquele jeito hippie misterioso, que unia timidez e insolência , gritos e suavidade.
Doces Bárbaros- Caetano, Gil, Gal e Bethânia -fizeram um mix notável e radicalizado da música baiana com a cultura jovem daquele tempo. Pareciam hippies de outro planeta, .cantavam uma espécie de alegria anárquica que não combinava muito com período baixo-astral da ditatura que o país vivia. Por isso foram bastante malhados pela crítica. e nem tudo se revelaria alegre assim. Gil foi preso por porte de maconha..
Em matéria de baianidade jovem, nunca houve nada igual aos Novos Baianos . De um amontoado de roqueiros da Bahia foram tocados por um contato improvável com a música e a pessoa de João Gilberto. Esse estranho encontro entre o cantor de paletó e gravata da bossa nova e os hippies cabeludos e barulhentos mostrará quase tão influente quanto a tropicália foi para as mentalidades mais abertas dos anos 60. O fruto desse encontro que mistura a delicadeza e o sussurro de Joâo Gilberto às guitarras dissonantes de Jimi Hendrix. Moraes Moreira, Pepeu Gomes, e Baby Consuelo viraram ídolos de uma música brasileira jovem que não conseguia escolher entre o mundo e o país, entre a aldeia e o universo.
Camisa de Vênus. A banda de Marcelo Nova, formada nos anos 80 dentro de um caldo roqueiro que surpreendia o país a ´partir de Salvador Emplacou alguns sucessos irados, como "Eu não Metei Joana D'Arc.
Olodum. Em matéria de sons que parece desentranhados da terra.. É o coração da Bahia, quando pulsa parece impossível ficar parado.
Carlinhos Brown e Timbalada. Muita gente acha que ele é um maluco gerado na Bahia Brown , no entanto é o vigor do ritmo baiano clássico, e transformado em trovão pelo Olodum, Ás imagens surreais que as letras de música conseguem atingir no estado.
O trio elétrico de Dodô e Osmar. Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu. .E assim vem acontecendo desde 1951 quando os amigos Dodô e Osmar saíram tocando pela s ruas de Salvador.
O carnaval baiano é tesouro nacional com o time que dá continuidade ao que foi iniciado por Dodô e Osmar e parece não ter data para acabar...
Asa se Águia
Babado Novo
Banda Eva
Chiclete com Banana
Cheiro de Amor
Claudia Leite
Daniela Mercury
Ivete Sangalo
Timbalada
Tuca Fernandes
Revista Bobstore
e
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