sexta-feira, 17 de maio de 2013

Tem  gente que é só pensar pela gente, que a gente fica contente.
Tem gente que vive como a gente vive.
 Tem gente que fala e nos olha na face.
  Tem gente que  cala e nos faz olhar.
    Toda essa gente que convive com a gente ,
      leva  a gente o que a gente teme.
         Passa a gente dentro da gente.
          Um pedaço da gente em outro alguém.


    Fernando Pessoa

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Blog do Lobato



   Reinações de Politicamente   Corretinho

    Não sei se vocês leram que o Conselho Nacional da Educação pediu que meu livro, Caçadas de  Pedrinho, fosse retirado das escolas. Motivo? No entender do órgão ,algumas  frases da histórias são racistas, especialmente   as relacionadas à personagem de  Tia Nastácia Como medida conciliatória, alguns sugeriam a inclusão de uma nota explicativa sobre o contexto histórico em que o livro foi escrito, de tal forma a evitar que esses clássicos da literatura infanto--juvenil deixe de circular entre os estudantes brasileiros.
        Minha intenção  não é me defender nem tampouco alimentar o fogo da polêmica . Gostei da ideia  de introduzir uma nota explicativa .Mas  em vez de contextualizar o passado, talvez fosse melhor dedicá--la a contextualizar o presente. pelo simples fato de que as crianças de hoje perderam bastante da ingenuidade e estão afastadas do convívio da natureza.
          Aquela expressão " tirem as crianças da sala" não faz sentido . Elas assistem a tudo na internet. Um adolescente de hoje já viu mais  sexo na Web do que toda juventude sueca na década de 70 viu nas  famosas  revistinhas que circulavam por lá. Qualquer letra de rap ou funk é mais do que suficiente  para eliminar  as  reservas de inocência e pureza naturais  de tenra idade.
      Ao reler minha obra sob esse prisma, fiquei preocupado. As histórias seguem boas, mas a narrativa, os nomes dos personagens e dos lugares podem servir de munição pesada para interpretações  maliciosas e piadas de duplo sentido. Entendam, quando escrevi  minha coleção de livros as crianças da idade de Justin Bieber não cantavam  sobre amores impossíveis e não assistiam a filmes como  Tropa de Elite desacompanhadas dos pais.
         Redigi a tal nota de esclarecimento  que deve  ser incluídas nos meus livros. (se é que ainda existe)
           Nota de esclarecimento (Nota de esclarecimento sobre o termo esclarecimento. O mesmo foi aqui empregado não no sentido de tornar mais branco, mas sim no de fazer mais  explicado, com mais luz.
        A personagem Dona Benta sempre esteve na história original .Ela não foi incluída posteriormente  como merchandising  de uma conhecida farinha de trigo.
             O carinhoso apelido de Narizinho não sugere que a personagem tem por hábito o consumo de drogas ilícitas   pela via nasal. Quem o tem é a Emília , que ganhou a vida ao aspirar o pó de pirlimpimpim.
          Não há nenhuma evidência de que o Visconde de Sabugosa ,apesar de falar  com sabedoria, seja transgênico.
        Marquês de Rabicó . Eu sei, é um nome complicado. Pode zombar à vontade.
        Não é o que está queimando no  cachimbo  que faz o Saci pular sem parar. É a falta de uma perna mesmo.
           Por fim, Sítio Picapau  Amarelo  não é uma menção à propriedade rural de órgão um genital   masculino de um oriental. Eu jamais cometeria um pleonasmo como Pica--Pau.
     
     Blogs do Além Vitor Knijnik






































      

Treze é o seu ano de sorte

    Treze é um número de sorte. Doze foi um ano de conquistas que podem se multiplicar, desde que  se entenda que o outro que  o outro- Animal,  Mineral, Vegetal,-deve estar, necessariamente, incluído nelas, Aquele que não divide não  multiplica.
      Parece que  em seu sexto século de existência, sanguinária, primitiva e, às vezes, engraçada, o Brasil chegou ao princípio   da cidadania. O olhar estrangeiro, mais uma vez,  lhe desvenda como ele não quer se enxergar .A  desigualdade  entre os humanos, que habitam o país é vergonhosa. A existência de quatro e meio milhões    de baianos sem educação básica envergonha todos os seus gestores dos últimos 463 anos, desde  Tomé de Sousa.
       E tudo isso saiu dos livros de sociologia e se tornou visível a olho nu. Não há mais como escondê-la. Os modelos  necessários para a  Humanização  do Brasil,  já estão criados .Precisam  de educação. O modelo educacional de  Anísio Teixeira pode resgatar,  com verbas que  há e   as infraestruturas que resistiram, os Humanos que chegam, porque uma quantidade  enorme deles não se resgata mais,
       Os problemas do Brasil são  Culturais., criados  por seus Humanos. A natureza nos deu o melhor dela para que nós, coletivamente, sejamos prósperos. É vergonhoso que exista fome nesse país E muita incompetência e desumanidade - que só  governos  autoritários sustentam- para manter (ou suportar)  a existência de analfabetos absolutos ou funcionais num século que já não admite analfabetos digitais. Doze foi um ano de  conquistas. Dilma e Joaquim Barbosa são conquistas do Brasil. Humanas, sólidas, historicamente coerentes.. Treze pode ser o  ano  da   sorte se solidificar essas conquistas.


    Aninha Franco

Você acredita em Deus?



   Não sabia porque, sentia que deveria decidir- se, era uma pergunta que ficara sem resposta, queria sempre poder responder a tudo, estar pronto a ser interrogado, fugir às respostas dúbias, hesitantes, que nada diziam.
      O olhar pela janela, o céu estrelado, a imensidão infinita do céu...Não foi preciso muito para concluir que, sem    Deus, jamais chegaria a entender onde o universo começava e onde acabava, de onde vinha  ele, para onde iria. Concentrou-se, respirou fundo, e declarou com firmeza:
      - Acredito!


     Fernando Sabino

terça-feira, 14 de maio de 2013


Sabemos que ter alguém ao nosso lado, que nos ame e trabalhe pelo desenvolvimento da relação,  traz muitos benefícios para a nossa vida; a começar pelo aspecto emocional. Contudo, encontrar alguém que esteja disposto a partilhar as coisas mais comuns do dia-a-dia, parece ser a tarefa difícil de realizar.
Assim, em virtude de muitos outros relacionamentos fracassados, a pessoa pode se tornar extremamente exigente, buscando encontrar alguém que se adéque exatamente ao seu modo de pensar e de agir.
Algumas pessoas falam do encantamento à primeira vista, mas antes mesmo de iniciar um relacionamento, levado por uma paixão, lembremos daquelas qualidades que julgamos ser imprescindíveis na pessoa com quem aspiramos iniciar um envolvimento amoroso.
A quem valoriza o porte físico – uma beleza semelhante a um ator de cinema – mas, coisas fora de um padrão natural podem desclassificar qualquer possível candidato (a). Outras consideram se o pretendente foi casado ou tem filhos, a idade, a ocupação profissional, o poder aquisitivo, a espiritualidade, etc…Entretanto, os aspectos sobre o caráter, também precisam ser conhecidos e, entre esses, a inclinação da pessoa por algum tipo de vício ou hábitos os quais poderiam se tornar um problema futuro.
Se para adquirir um produto fazemos pesquisa de preços, verificamos a sua qualidade, entre outras coisas; é também importante não desconsiderar alguns valores que julgamos necessários identificar na personalidade de quem aspiramos partilhar nossa vida.
Viver um relacionamento que seja duradouro é possível  mas requer esforço e compromisso do casal para resolver alguns conflitos gerados a partir

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O homem nu


— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.



Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o porteiro subir lentamente os andares...desta vez era o homem da televisão! Não era. refugiado no lance da escada entre os andares , que o elevador passasse, voltou para a porta do seu apartamento, sempre a segurar nas mãos  nervosas o embrulho do pão.
— Maria, por favor! Sou eu!
Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.
Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.
— Ah, isso é que não!  — fez o homem nu, sobressaltado.
E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!
— Isso é que não — repetiu, furioso.
Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar.  Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.  Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer?  Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.
Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir om o embrulho do pão. Era a velha do apartamento vizinho:
       Bom dia, minha senhora- disse ele, confuso. -Imagine  que eu...
        A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:
        -Valha- me  Deus! O padeiro está nu!
           E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
           -Tem um homem pelado aqui na porta!
          Outros vizinhos ouviram a gritaria, vieram ver o que passava:
         -É um tarado!
          -Olha, que horror!
          -Não olha não! pra dentro filha!
          Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu- se precipitadamente , sem nem  lembrar do banho. Poucos minutos depois,  restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.
           -Deve-se ser  a polícia - disse ele, ainda ofegante, indo abrir .
            Não era: era o cobrador da televisão.


       Fernando Sabino





         
        
 




















































































































































































 Não

Soneto da fidalidade



Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

 E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius  de Morais