quarta-feira, 5 de março de 2014

A fuga da dor

 fuga da dor se manifesta, por vezes, de uma forma peculiar e camuflada; é o caso dos processos destrutivos próprios do medo da felicidade.

Como os estados em que sentimos grande felicidade parecem atrair coisa ruim, nos defendemos de uma eventual tragédia destruindo parte dela.

A ideia de que a felicidade atrai tragédia é forte e parece estar presente em todos nós. A alegria se mistura com uma... inquietação, um medo.

A manifestação mais típica da associação do medo com a felicidade é a que vivemos no estado amoroso "extraordinário" que chamamos de paixão.

Para nos proteger do medo de que a felicidade amorosa atraia uma tragédia criamos pequenos atos destrutivos: ex. provocamos uma briga tola.

Apesar de ser destrutivo, o conflito banal criado para "esfriar" a alegria sentimental têm uma finalidade construtiva: evitar um mal maior!

Até os atos destrutivos próprios do medo da felicidade estão a serviço de reduzir a dor: criamos uma dor menor para evitar a mais dramática!

Gikovate
Pensando bem em tudo o que a gente vê e vivencia
e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa faz tudo certinho!
Chega na hora certa, fala as coisas certas,
faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor...
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
que é pra na hora que vocês se encontrarem
a entrega ser muito mais verdadeira.
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono.
Essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você.
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo,
porque a vida não é certa.
Nada aqui é certo!
O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo,conseguindo...
E só assim, é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças a Deus deu tudo certo"
Quando na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra
gente...
Luis Fernando Veríssimo
de 2013

Da arte de ser patife

Nós, brasileiros, temos grande vocação para ser patifes, e quase não é necessário ensinar a ninguém, aqui, a arte de ser patife. Em todo caso, como ainda há alguns que não são patifes, vou ensinar-lhes a arte.
Patifaria nada tem a ver com as patas, embora também se possa praticá-la com a dita cuja. Comumente, porém, pratica-se a patifaria com as mãos, ou com a boca. E quando disse patas, não me referi aos patos e às patas, aves anseriformes, anatídeas, que nadam nas lagoas e botam ovos. De qualquer maneira, quem é vítima de uma patifaria é um pato.
O nosso PIB, em patifaria, é elevadíssimo, e cresce cada vez mais a cada governo, e há quem seja especialista nela, como os deputados e senadores.
A patifaria, comumente se faz através do engodo, da promessa não cumprida, do engano, da dívida contraída e não paga. Praticam-na os comerciantes, os publicitários, os empresários, os fabricantes, et caterva. Também pode ser o estelionato, ou o peculato, e coisas de semelhante gênero. É bem de se ver ainda que a patifaria não é violenta. Ela é exercida suavemente, através das palavras, convencendo-se a vítima de que está fazendo um bom negócio. Quando a vítima é também um patife que pretende tirar vantagem de outro patife que lhe propõe uma transação, há no caso o que se denomina fraude bilateral.
O patife não é um medroso, é antes um audaz e, como diziam os latinos, “audax fortuna juvat”.
As mil formas de patifarias são muito diversificadas, e entre elas há o conto do vigário. Não sei, porém, se há o conto do bispo. Isto é, há sim, o conto dos bispinhos de algumas seitas religiosas. Estes, praticam a patifaria através da exibição de exorcismos e têm sempre a Bíblia na mão.
Patifaria ainda faz o homem que trai a sua mulher, e vice-versa.
A patifaria jamais espatifa, porque, como já disse, é praticada suavemente, através da persuasão do bobo que vai sofrer-lhe as conseqüências.
Os cartórios estão cheios de patifarias registradas. Os jornais estampam as patifarias e também as cometem. Que dizer então dos canais de televisão? Até através do telefone se pode praticar patifarias.
O patife bem sucedido nunca vai para a Cadeia.
Na língua portuguesa há um livro velhusco, em puro vernáculo, com o título “A Arte de Furtar”. Nele se ensina não só a arte de furtar, mas também a arte da patifaria.
Como somos o país da patolândia, aqui a patifaria prospera a olhos vistos.
Também é comum a patifaria no jogo de cartas.
Os banqueiros são patifes bem remunerados.
Igualmente, nas Bolsas, com o sobe e desce das ações, a patifaria tem o seu lugar.
E se você praticar estas recomendações, será, sem dúvida, um patife bem sucedido.
Afinal de contas, a vida é também uma patifaria. Promete o que não nos dá, e nos dá o que não queremos.

                                                                Annibal Augusto Gama

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Citações
William  Shakespeare

— Devemos aceitar o que é impossível deixar de acontecer.

— Até mesmo a bondade, se em demasia, morre do próprio excesso.

— O cansaço ronca em cima de uma pedra, enquanto a indolência acha duro o melhor travesseiro.

— Vazias as veias, nosso sangue se arrefece, indispostos ficamos desde cedo, incapazes de dar e de perdoar. Mas quando enchemos os canais e as calhas de nosso sangue com comida e vinho, fica a alma muito mais maleável do que durante esses jejuns de padre.

— Ninguém poderá jamais aperfeiçoar-se, se não tiver o mundo como mestre. A experiência se adquire na prática.

— Se o ano todo fosse de feriados, o lazer, como o trabalho, entediaria.

— Ventre grande é sinal de espírito oco; quando a gordura é muita, o senso é pouco.

— Que é o homem, se sua máxima ocupação e o bem maior não passam de comer e dormir?

— Do jeito que o mundo anda, ser honesto é (igual) a ser escolhido entre dez mil.

— Hóspede oferecido (...) só é bem-vindo quando se despede.

— Um homem inteligente pode transformar-se num joão-bobo, quando não sabe valer-se de seus recursos naturais.

— Quem não sabe mandar deve aprender a ser mandado.

— A mulher que não sabe pôr a culpa no marido por suas próprias faltas, não deve amamentar o filho, na certeza de criar um palerma.

— As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos.

— Ninguém pode calcular a potência venenosa de uma palavra má num peito amante.

— Sábio é o pai que conhece seu próprio filho.

— Tem ventura fugaz, sempre periga, quem se fia em rapaz ou rapariga.

— Ser ou não ser... eis a questão.

— É estranho que, sem ser forçado, saia alguém em busca de trabalho.

—As mais belas jóias, sem defeito, com o uso o encanto perdem.

— O bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria.

— Nunca poderá ser ofensivo aquilo que a simplicidade e o zelo ditam
a religião é] um sistema de doutrinas e promessas que, por um lado, lhe explicam os enigmas deste mundo com perfeição invejável e que, por outro lado, lhe garantem que uma Providência cuidadosa velará por sua vida e o compensará, numa existência futura, de quaisquer frustrações que tenha experimentado aqui. O homem comum só pode imaginar essa Providência sob a figura de um pai ilimitadamente engrandecido. Apenas um ser desse tipo pode compreender as necessidades dos filhos dos homens, enternecer-se com suas preces e aplacar-se com os sinais de seu remorso. Tudo é tão patentemente infantil, tão estranho à realidade, que, para qualquer pessoa que manifeste uma atitude amistosa em relação à humanidade, é penoso pensar que a grande maioria dos mortais nunca será capaz de superar essa visão da vida. Mais humilhante ainda é descobrir como é vasto o número de pessoas de hoje que não podem deixar de perceber que essa religião é insustentável e, não obstante isso, tentam defendê-la, item por item, numa série de lamentáveis atos retrógrados.”Sigmund Freud

Tostoi e a educação uma revelação


As leituras e a viagem de Tolstói à Europa Ocidental permitiu a ele uma nova visão acerca do funcionamento da sociedade russa do século XIX. Tornou-se mais sensível à servidão e passou a dedicar-se a educar os camponeses de suas propriedades. Lembrando, Tolstói era um grande proprietário rural, aristocrata, de uma família tradicional russa. Em sua juventude, tratou seus servos como objeto de posse. Mudar de ideia acerca da condição humana em que seus servos viviam, não deve ter sido tarefa fácil, foi ao longo de muitos anos que essa mudança se deu. Quando aconteceu de fato, após uma viagem à Europa Ocidental, Tolstói mudou sua relação com seus servos. Finalmente conseguiu convencê-los a transferir-se do sistema de corveia para o pagamento de um aluguel ou “imposto territorial”. Seus servos, então, passariam a cultivar a terra da maneira como quisessem. Em outra parte de suas propriedades passou a usar mão de obra contratada e libertou os servos domésticos.
O próximo passo de Tolstói foi reabrir a escola rural existente em sua propriedade e passou a dedicar-se à educação de seus antigos servos. Conforme nos indica Barlett (2013), a realidade da educação rural era precária: “Na década de 1850, menos de 6% da população rural era alfabetizada. Nas regiões rurais não existiam escolas públicas, nem mesmo no nível primário ou fundamental, e a pouca instrução que havia – oferecida por algum padre de vilarejo ou um soldado reformado (…) era primitiva e paga. Os professores ensinavam de maneira mecânica e pouco imaginativa, sem incentivar o pensamento, e aplicavam punições corporais. Os senhores proprietários de terras não tinham a obrigação de educar seus servos, e em um país onde os camponeses eram tratados como espécie subumana, não surpreende que poucos o fizessem. (…)” (p. 184)
A universalização da educação parece um tema recorrente. A importância disso para uma sociedade vai depender do objetivo que ela tem a curto e em longo prazo para si mesma. A Rússia rural do século XIX não parece diferente do que vivemos no Brasil atual, no que se refere aos objetivos da sociedade em relação à educação de sua população.
No mesmo período em que Tolstói estava preocupado em investir na educação campesina, “(…) Tolstói não entendia qual era o sentido de introduzir na Rússia ferrovias, telégrafos e outras formas de modernização se a grande massa do país não tinha acesso à educação pública (…).” (p. 185). Da mesma maneira, não consigo ver o Brasil se tornando um país mais igualitário, sem tantos abismos sociais, com uma educação tão precária e tão pouco acessível às classes mais pobres.
A modernidade parece passar por cima da condição de vida humana, reiteradamente. Não somente na Rússia do século XIX, mas também no Brasil. Temos escolas públicas, buscamos a universalização da educação. Porém, a qualidade do ensino ainda deixa a desejar. O estímulo à leitura e ao desenvolvimento de um pensamento crítico ainda é muito pequeno. Podemos ter tablets, celulares, mas ainda temos muita dificuldade no que diz respeito à narrativa. Ela que nos constitui enquanto seres humanos e torna nossas atitudes humanas. Caso contrário vemos um amontoado de atitudes robotizadas, imitadas, pouco refletidas, uma verborragia catártica.
Quem dera um dia possamos parar de repetir o passado e viver uma realidade mais humanizada e autêntica, com mais acesso à educação de qualidade e uma possibilidade de diminuir as discrepâncias existentes entre as classes sociais.
Para finalizar, uma lição de Tolstói para todos os educadores e pais (a meu ver também são educadores):
“(…) A principal missão de Tolstói como educador era introduzir a liberdade na experiência de aprendizagem: seus alunos tinham permissão para frequentar as aulas quando bem quisessem, e não havia castigos físicos. (…) dava importância à flexibilidade, de modo que o professor se adequasse às necessidades de seus alunos, e não o contrário.” (p. 185)