domingo, 11 de novembro de 2012

Luar do sertão

 



 
          Não há , ó gente, Oh!não, luar como este  do sertão.
          Oh! que saudade do luar da minha terra
          lá na serra,prateando as folhas secas pelo chão.
          Este luar cá da cidade,tão escuro,
          não tem aquela saudade do luar lá do sertão!

               Se a lua nasce por detrás da verde mata
               mais parece um sol de prata prateando a solidão.
               A gente pega na viola que ponteia
               e a canção é a lua cheia a nos nascer no coração,

    Coisa mais bela neste mundo não existe
   do que ouvir- se um galo triste no sertão,se faz luar.
   Parece até que a alma da lua que descansa
   escondeu-se na garganta desse galo a soluçar.

        A gente fria desta terra sem poesia
        não faz desta lua, nem se importa com o luar
        Enquanto a onça lá, na verde capindooeira
         leva uma hora inteira vendo a lua, a meditar!

  Ai, quem me dera que eu morresse lá na serra
  abraçando à minha terra e dormindo de uma vez!
  Ser enterrado numa cova pequenina
  onde à terra sururina chora a sua viuvez.

 







            

Folhas de outono




  As folhas  caem,e o inverno já chegou
   Por onde anda, onde, anda o meu amor
   Ele foi embora,  sem ao menos me beijar
  Como as folhas, que se perdem pelo ar


  Mas ainda nele eu penso
  Com muito carinho
  As folhas vão caindo
 E eu choro baixinho
 Mas tenho a esperança
 Que ele vai voltar
 As folhas quando caem
 Nascem outras no lugar.

Toda vez que eu viajava



       "Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens tem medo da luz" Platão



      Toda vez que eu viaja - pela estrada de Ouro Fino
      de longe eu avistava -  a figura de um menino
      que corria a  abrir a porteira-  depois vinha me pedindo :
      "Toque o berrante, seu moço- que é pra mim ficar ouvindo!"

      Quando a boiada passava- que a poeira ia baixando
      eu jogava uma moeda --ele saía pulando
      "Obrigada boiadeiro, -que Deus vai lhe acompanhando!
       Pra aquele sertão afora- meu berrante ia tocando

      Nos caminhos desta vida- muitos espinhos encontrei
      mas nenum colou mais fundo- do que este que passei:
      na minha viagem de volta-  qualquer coisa eu cismei
      vendo a porteira fechada- o menino não aistei.

     Apeei meu cavalo- num ranchinho- beira- chão;
     vi uma mulher chorando -quis saber qual a razão.
     "Boiadeiro, veio tarde- veja a cruz no estradão:
      quem matou o meu filhinho -foi o boi sem coração'!

      Lá pra bandas de Ouro Fino-  levando o gado  selvagem
      quando passo na porteira- até vejo uma imagem. 
      Esse rangido tão triste- até parece uma mensagem
      aquele rosto trigueiro- desejando boa viagem.

      A cruzinha do estradão- do pensamento não sai
      até fiz um juramento- que não esqueço jamais:
      nem que meu gado estoure- eu preciso ir atrás
      nesse pedaço de chão- berrante não toco mais.
     

     













   
    
     
  
 

     

Um dia viveremos melhor com as nossas diferenças...




       Somos todos iguais como seres racionais, dotados de alma e corpo;possuimos a consciência do que se passa conosco e ao nosso redor; todos seguimos a mesma trajetória: nascemos, vivemos, morremosMas cada um vive em seu ambiente, tem sua experiência pessoal, e forma a seu modo o próprio mundo interior.Assim cada um tem também seu próprio mundo particular e, como indivíduo, se distingue dos demsis.
          Todos são seres humanos.Mas uns são maus, outros bons.Há os espertos e os bobos;os trabalhadores e os vadios;os ricos e os pobres;os exploradores e os explorados; os sábios e os ignorantes. Tudo, porém, está ligado aos instantes, as oportunidades, que cada um tem.João nasceu em berço explendio.Paulo nasceu em uma favela,Maria tave uma casa e uma educação sadia etc..
      Tudo seria natural,não fossem os opressores.Quando deles nos libertarmos.conviveremos com nossas diferenças, sem injustiças sociais.

       Antonio P. da Silva

  


  "...as pessoas vivem exindo coisas. E nem sempre temos vontade ou possilidade de satisfazer. E as exigências crescem e se tornam  arte de nossa vida diária.Nos acostumamos com elas, nos acostumamos, sem perceber que cada concessão é um pebaço de nós mesmos, envenenado, que engolimos.


   Ignácio de Loyola  Bramdão

Os passistas



      Vem, eu vou pousar a mão no teu quadril
      Multiplicar-te os pés por muitos mil
      Fita o céu,
      Roda:
      a dor
      Define nossa vida toda
      Mas etes passos lançam moda
      E dirão ao mundo por onde ir.
      Às vezes tu te voltas para mim
      Na dança sem te dares conta enfim
      Que também
      Amas
      Mas, ah!
      Somos apenas dois mulatos
      Fasendo poses nos retratos
      Que a luz da vida imprimiu de nós.

      Se desbotássemos, outros revelar-nos-íamos no Carnaval
      Roubemos-nos ao deus Tempo e nos demos de graça à beleza total, vem,

      Nós,
      Cartão - postal com touros em Madri,
      O Corcovado e o Redentor daqui,
      Salvador,
      Roma,
      Amor,
      Onde quer que estejamos juntos
      Multiplicar-se-ão asuntos  de mãos e pés.

    Caetano Veloso






      E desvãos do ser.






     













  

sábado, 10 de novembro de 2012

Mal Secreto



       Se a cólera que espuma, a dor que mora
       N"alma, e destroi a cada ilusão que nasce,
       Tudo que punge, tudo que devora
       O coração,no rosto se estampasse;

      Se se pudesse, o espírito que chora,
      Ver através da máscara da face,
      Quanta gente, talvez, que inveja agora
      Nos causa, então piedade nos causasse!

      Quanta gente que ri, talvez consigo
      Guarda um atroz, recôndito inimigo,
      Como invisível chaga cancerosa!

      Quanta gente que ri, talvez existe,
      Cuja ventura única consiste
      Em parecer aos outros venturosa!

           Correia, Alberto de