Em discurso na favela de Varginha com forte conteúdo social e mensagens
políticas, o papa Francisco fez um apelo para que os jovens não desistam de
lutar contra a corrupção.
"Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às
injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção,
com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício.
Também para vocês e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a
confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem
pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se
acostumarem ao mal, mas a vencê-lo."
Francisco abriu seu discurso dizendo que a "pacificação" não será permanente
em uma "sociedade que abandona na periferia parte de si mesma". Ele exortou
ricos e dirigentes políticos a saber "dar a sua contribuição para acabar com
tantas injustiças sociais".
"Nenhum esforço de 'pacificação' será duradouro, não haverá harmonia e
felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona
na
periferia parte de si mesma. Uma sociedade assim simplesmente empobrece a
si mesma; antes, perde algo de essencial para si mesma", discursou Francisco
"A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os
mais necessitados, quem não tem outra coisa senão a sua pobreza!", completou.
O uso da palavra "pacificação" é uma referência às UPPs (Unidade de Polícia
Pacificadora), projeto do governo do Rio para diminuir a violência.
domingo, 28 de julho de 2013
Discurso do PAPA na cerimõnia da virgilia
Queridos jovens,
Acabamos recordar a história de São Francisco de Assis. Diante do Crucifixo, ele escuta a voz de Jesus que lhe diz: 'Francisco, vai e repara a minha casa'. E o jovem Francisco responde, com prontidão e generosidade, a esta chamada do Senhor: 'Repara a minha casa. Mas qual casa?' Aos poucos, ele percebe que não se tratava fazer de pedreiro para reparar um edifício feito de pedras, mas de dar a sua contribuição para a vida da Igreja; tratava-se de colocar-se ao serviço da Igreja, amando e trabalhando para que transparecesse nela sempre mais a face de Cristo.
Também hoje o Senhor continua precisando dos jovens para a sua Igreja. Queridos jovens, o senhor precisa de vocês. Também hoje ele chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja para serem missionários. Queridos jovens, o Senhor hoje nos chama. Não a todos e sim a cada um de vocês, individualmente. Escutem essa palavra nos seus corações. Ele vos fala.
Acredito que podemos aprender algo com o que aconteceu nos últimos dias. Tivemos que cancelar por mau tempo o evento no Campus Fidei Guaratiba. Não estaria o Senhor querendo nos dizer que o verdadeiro campo da fé, não é um ponto geográfico, mas sim nós mesmos? Sim. É verdade, cada um de nós e de vocês. Eu e vocês todos aqui somos discípulos missionários. O que quer dizer isso? Que nós somos o campo da fé de Deus.
Por isso mesmo, a partir da imagem do campo da fé, pensei em três imagens que podem nos ajudar a entender melhor o que significa ser um discípulo missionário: a primeira imagem é o campo como lugar onde se semeia; a segunda, o campo como lugar de treinamento; e a terceira, o campo como canteiro de obras.
Primeiro. O campo como lugar onde se semeia.
Todos conhecemos a parábola de Jesus sobre um semeador que saiu pelo campo. Algumas sementes caem à beira do caminho, em meio às pedras, no meio de espinhos e não conseguem se desenvolver; mas outras caem em terra boa e dão muito fruto (cf. Mt 13,1-9). O próprio Jesus explicou o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus que é semeada nos nossos corações (cf. Mt 13,18-23).
Hoje, de modo especial, Jesus está semeando. Ao aceitar a palavra de Deus, nos tornamos o campo da fé. Por favor, deixe que a palavra do Senhor entre nas suas vidas. Deixe que entre em seus corações, germine, cresça. Deus faz tudo, mas vocês têm que permitir que Ele trabalhe nesse crescimento. Jesus nos diz que as sementes que caíram à beira do caminho, em meio às pedras e entre espinhos não deram fruto. Acredito que, com muita sinceridade, podemos nos perguntar: 'Qual terreno somos ou queremos ser?' Talvez sejamos como o caminho: ouvimos o Senhor porém nos deixamos tumultuar por tantos apelos superficiais? E eu lhes pergunto, agora me respondam silenciosamente: ‘serei eu um jovem atordoado ou como o terreno pedregoso? Acolhemos Jesus com entusiasmo mas somos inconstantes e diante das dificuldades não ter a coragem de ir contra a corrente'. Respondam silenciosamente. 'Terei eu valor ou serei eu um covarde?' Ou será que somos como um terreno espinhoso? As palavras negativas sufocam a palavra de Deus? Tenho o costume de jogar dos dois lados, ficar de bem com Deus e com o Diabo? Será que quero receber as sementes de Jesus e de vez em quando regar os espinhos e o que cresce de mau nos meus corações?
Hoje, entretanto, tenho a certeza que a semente pode cair numa terra boa, como ouvimos nesses testemunhos. Como a semente caiu em boa terra. A pessoa diz que é uma calamidade: 'não sou boa terra, estou cheia de espinhos, Santo Padre'. Sim, isso pode acontecer. Mas deixe um pedacinho de terra boa, e permitam que ali caia a semente da palavra e verão que ela vai germinar, sim. Eu sei que vocês querem ser terra boa. O cristão quer ser isso, um cristão de verdade, não cristãos de fachada, mas sim autênticos. Sei que querem ser cristãos autênticos. Não cristãos de nariz empinado, pessoas que só parecem cristãos, mas não fazem nada. Tenho a certeza que vocês não querem viver na ilusão de uma liberdade que se deixe arrastar pelas modas e as conveniências do momento.
Sei que vocês apostam em algo grande, em escolhas definitivas que deem pleno sentido para a vida. É assim ou estou errado? Se é assim, façamos o seguinte. Todos em silêncio, olhando para dentro, para seus corações, e cada um fale com Jesus que quer receber a semente. Olhe Jesus. 'Jesus, tenho pedras, tenho espinhos, mas tenho esse cantinho de boa terra. Semeie aqui'. E em silêncio, permitem que Jesus plantem sua semente em boa terra. Lembrem-se desse momento. Cada um sabe o nome da semente que foi plantada agora. Deixem que frutifique. Deus vai cuidar dela. (aplausos)
Segundo. O campo como lugar de treinamento.
Além de ser um lugar de semeadura, o campo é um lugar de treinamento. Jesus nos pede que nós o sigamos por toda a vida, pede que sejamos seus discípulos, que 'joguemos no seu time'. Acho que a maioria de vocês ama os esportes. E aqui no Brasil, como em outros países, o futebol é uma paixão nacional. Sim ou não? (aplausos) Pois bem, o que faz um jogador quando é convocado para jogar em um time? Deve treinar, e muito! Também é assim na nossa vida de discípulos do Senhor. São Paulo diz aos cristãos: 'Todo atleta se privam de tudo. Eles assim procedem, para conseguirem uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível!' (1Co 9, 25). Jesus nos oferece algo muito superior que a Copa do Mundo! Algo maior que a Copa do Mundo! (aplausos)
Oferece-nos a possibilidade de uma vida fecunda e feliz. E nos oferece também um futuro com Ele que não terá fim: a vida eterna. É o que Jesus oferece. Mas ele pede que paguemos a ingresso. Jesus pede que treinemos para estar 'em forma', para enfrentar, sem medo, todas as situações da vida, dando testemunhos de fé. Como? Através do diálogo com Ele: a oração, que é um diálogo diário com Deus que sempre nos escuta.
Agora vou perguntar. 'Eu rezo? Eu falo com Jesus ou tenho medo do silêncio?' Deixe que o Espírito Santo fale aos seus corações. 'Será que faço isso?' Pergunte a Jesus: 'O que quer que eu faça? O que quer da minha vida?' Isso é treinar. Conversem com Jesus. E se cometerem um erro, um deslize, não temam. 'Jesus, olha o que eu fiz, o que faço agora?' Mas sempre fale com Jesus, nos bons e maus momentos, não tema. Essa é a oração. Assim vai se treinando o diálogo com Jesus. E também através dos sacramentos, que fazem crescer em nós o amor de Jesus, através do amor fraterno, do saber ouvir, perdoar, do compreender, do perdoar, do acolher, do ajudar os demais, qualquer pessoa sem excluir nem marginalizar ninguém. Esses são os treinamentos para se seguir Jesus: a oração, os sacramentos e o serviço ao próximo. Vamos repetir: oração, sacramentos e ajuda aos demais (público repete).
Terceiro. O campo como canteiro de obras.
Como vemos aqui, como tudo isso foi construído. Os jovens caminharam e construíram juntos a Igreja. Quando o nosso coração é uma terra boa que acolhe a palavra de Deus, quando se 'sua a camisa' procurando viver como cristãos, nós experimentamos algo maravilhoso: nunca estamos sozinhos, fazemos parte de uma família de irmãos que percorrem o mesmo caminho; somos parte da Igreja, mais ainda, tornamo-nos construtores da Igreja e protagonistas da história, em conjunto. Fizeram assim como São Francisco: construir e reparar a Igreja.
Eu pergunto, então: Querem construir a Igreja? Estão animados? E amanhã, será que vão se esquecer que hoje disseram 'sim'? (público responde 'não'). Ah, assim estou gostando. Todos somos parte da Igreja. Mais do que isso, nos transformamos em construtores da Igreja e protagonistas da História. Jovens, por favor, sejam protagonistas, não fiquem na fila da História, não fiquem para trás. Vão lutando, construindo um mundo de paz, solidariedade, amor. Joguem sempre na linha de frente, no ataque!
São Pedro nos diz que somos pedras vivas que formam um edifício espiritual (cf. 1Pe 2,5). E, olhando para este palco, vemos que ele tem a forma de uma igreja, construída com pedras, com tijolos. Na Igreja de Jesus, nós somos as pedras vivas, e Jesus nos pede que construamos a sua Igreja; cada um de nós somos uma pedrinha da construção. Se faltar essa pedrinha, quando chover, vai se formar uma goteira e a casa vai alagar. Cada um desse pedacinho deve cuidar da segurança e da unidade da Igreja. E vai construir uma capelinha, onde cabe somente um grupinho de pessoas? Não, Jesus nos pede que a sua Igreja viva seja tão grande que possa acolher toda a humanidade, que seja casa para todos! Ele diz a mim, a você, a cada um: 'Ide e fazei discípulos entre todas as nações'! Nesta noite, respondamos-lhe: 'sim, também eu quero ser uma pedra viva; juntos queremos edificar a Igreja de Jesus!'
Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo! Repitam isso. Agora é com vocês. 'Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo'. Quero que pensem nisso, vocês disseram isso juntos, afinal. No coração jovem de vocês, existe o desejo de construir um mundo melhor. Acompanhei atentamente as notícias e vejo muitos jovens que, em tantas partes do mundo, saíram pelas ruas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Os jovens nas ruas querem ser protagonistas da mudança. Por favor, não deixam que outros sejam protagonistas, sejam vocês. Vocês têm o futuro nas mãos. Por vocês, é que o futuro chegará. Peço que vocês também sejam protagonistas, superando a apatia e oferecendo uma resposta cristã às inquietações sociais políticas que se colocam em diversas uestões do mundo. Peço que sejam construtores do mundo. Envolvam-se num mundo melhor. Por favor, jovens, não sejam covardes, metam-se, saiam para a vida. Jesus não ficou preso dentro de um casulo. Saiam do casulo. Saiam às ruas como fez Jesus.
Mas, fica a pergunta: por onde começar? A quem vamos pedir que se comece isso ou aquilo? Um dia perguntaram a Madre Teresa de Calcutá o que deveria mudar na Igreja, por onde começaria a mudar, ela respondeu: você e eu! Ela tinha muita garra e sabia por onde começar. Hoje, peço então a Madre Teresa e repito as palavras dela: começamos por mim e por você. Por favor, cada um, faça essa mesma pergunta: 'se tenho que começar por mim mesmo, por onde devo começar?' Abram seus corações para que Jesus possa falar por onde devem começar.
Queridos amigos, não se esqueçam: vocês são o campo da fé! Vocês são os atletas de Cristo! Vocês são os construtores de uma Igreja mais bela e de um mundo melhor. Elevemos o olhar para Nossa Senhora. Ela nos ajuda a seguir Jesus, nos dá o exemplo com o seu 'sim' a Deus: 'Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra' (Lc1,38). Também nós o dizemos a Deus, juntos com Maria: faça-se em mim segundo a Tua palavra. Assim seja!"
Acabamos recordar a história de São Francisco de Assis. Diante do Crucifixo, ele escuta a voz de Jesus que lhe diz: 'Francisco, vai e repara a minha casa'. E o jovem Francisco responde, com prontidão e generosidade, a esta chamada do Senhor: 'Repara a minha casa. Mas qual casa?' Aos poucos, ele percebe que não se tratava fazer de pedreiro para reparar um edifício feito de pedras, mas de dar a sua contribuição para a vida da Igreja; tratava-se de colocar-se ao serviço da Igreja, amando e trabalhando para que transparecesse nela sempre mais a face de Cristo.
Também hoje o Senhor continua precisando dos jovens para a sua Igreja. Queridos jovens, o senhor precisa de vocês. Também hoje ele chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja para serem missionários. Queridos jovens, o Senhor hoje nos chama. Não a todos e sim a cada um de vocês, individualmente. Escutem essa palavra nos seus corações. Ele vos fala.
Não estaria o Senhor querendo nos dizer que o verdadeiro campo da fé, não é um ponto geográfico, mas sim nós mesmos?
Acredito que podemos aprender algo com o que aconteceu nos últimos dias. Tivemos que cancelar por mau tempo o evento no Campus Fidei Guaratiba. Não estaria o Senhor querendo nos dizer que o verdadeiro campo da fé, não é um ponto geográfico, mas sim nós mesmos? Sim. É verdade, cada um de nós e de vocês. Eu e vocês todos aqui somos discípulos missionários. O que quer dizer isso? Que nós somos o campo da fé de Deus.
Por isso mesmo, a partir da imagem do campo da fé, pensei em três imagens que podem nos ajudar a entender melhor o que significa ser um discípulo missionário: a primeira imagem é o campo como lugar onde se semeia; a segunda, o campo como lugar de treinamento; e a terceira, o campo como canteiro de obras.
Primeiro. O campo como lugar onde se semeia.
Todos conhecemos a parábola de Jesus sobre um semeador que saiu pelo campo. Algumas sementes caem à beira do caminho, em meio às pedras, no meio de espinhos e não conseguem se desenvolver; mas outras caem em terra boa e dão muito fruto (cf. Mt 13,1-9). O próprio Jesus explicou o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus que é semeada nos nossos corações (cf. Mt 13,18-23).
Hoje, de modo especial, Jesus está semeando. Ao aceitar a palavra de Deus, nos tornamos o campo da fé. Por favor, deixe que a palavra do Senhor entre nas suas vidas. Deixe que entre em seus corações, germine, cresça. Deus faz tudo, mas vocês têm que permitir que Ele trabalhe nesse crescimento. Jesus nos diz que as sementes que caíram à beira do caminho, em meio às pedras e entre espinhos não deram fruto. Acredito que, com muita sinceridade, podemos nos perguntar: 'Qual terreno somos ou queremos ser?' Talvez sejamos como o caminho: ouvimos o Senhor porém nos deixamos tumultuar por tantos apelos superficiais? E eu lhes pergunto, agora me respondam silenciosamente: ‘serei eu um jovem atordoado ou como o terreno pedregoso? Acolhemos Jesus com entusiasmo mas somos inconstantes e diante das dificuldades não ter a coragem de ir contra a corrente'. Respondam silenciosamente. 'Terei eu valor ou serei eu um covarde?' Ou será que somos como um terreno espinhoso? As palavras negativas sufocam a palavra de Deus? Tenho o costume de jogar dos dois lados, ficar de bem com Deus e com o Diabo? Será que quero receber as sementes de Jesus e de vez em quando regar os espinhos e o que cresce de mau nos meus corações?
Sei que querem ser cristãos autênticos. Não cristãos de nariz empinado
Hoje, entretanto, tenho a certeza que a semente pode cair numa terra boa, como ouvimos nesses testemunhos. Como a semente caiu em boa terra. A pessoa diz que é uma calamidade: 'não sou boa terra, estou cheia de espinhos, Santo Padre'. Sim, isso pode acontecer. Mas deixe um pedacinho de terra boa, e permitam que ali caia a semente da palavra e verão que ela vai germinar, sim. Eu sei que vocês querem ser terra boa. O cristão quer ser isso, um cristão de verdade, não cristãos de fachada, mas sim autênticos. Sei que querem ser cristãos autênticos. Não cristãos de nariz empinado, pessoas que só parecem cristãos, mas não fazem nada. Tenho a certeza que vocês não querem viver na ilusão de uma liberdade que se deixe arrastar pelas modas e as conveniências do momento.
Sei que vocês apostam em algo grande, em escolhas definitivas que deem pleno sentido para a vida. É assim ou estou errado? Se é assim, façamos o seguinte. Todos em silêncio, olhando para dentro, para seus corações, e cada um fale com Jesus que quer receber a semente. Olhe Jesus. 'Jesus, tenho pedras, tenho espinhos, mas tenho esse cantinho de boa terra. Semeie aqui'. E em silêncio, permitem que Jesus plantem sua semente em boa terra. Lembrem-se desse momento. Cada um sabe o nome da semente que foi plantada agora. Deixem que frutifique. Deus vai cuidar dela. (aplausos)
Segundo. O campo como lugar de treinamento.
Além de ser um lugar de semeadura, o campo é um lugar de treinamento. Jesus nos pede que nós o sigamos por toda a vida, pede que sejamos seus discípulos, que 'joguemos no seu time'. Acho que a maioria de vocês ama os esportes. E aqui no Brasil, como em outros países, o futebol é uma paixão nacional. Sim ou não? (aplausos) Pois bem, o que faz um jogador quando é convocado para jogar em um time? Deve treinar, e muito! Também é assim na nossa vida de discípulos do Senhor. São Paulo diz aos cristãos: 'Todo atleta se privam de tudo. Eles assim procedem, para conseguirem uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível!' (1Co 9, 25). Jesus nos oferece algo muito superior que a Copa do Mundo! Algo maior que a Copa do Mundo! (aplausos)
Jesus nos oferece algo muito superior que a Copa do Mundo!
Oferece-nos a possibilidade de uma vida fecunda e feliz. E nos oferece também um futuro com Ele que não terá fim: a vida eterna. É o que Jesus oferece. Mas ele pede que paguemos a ingresso. Jesus pede que treinemos para estar 'em forma', para enfrentar, sem medo, todas as situações da vida, dando testemunhos de fé. Como? Através do diálogo com Ele: a oração, que é um diálogo diário com Deus que sempre nos escuta.
Agora vou perguntar. 'Eu rezo? Eu falo com Jesus ou tenho medo do silêncio?' Deixe que o Espírito Santo fale aos seus corações. 'Será que faço isso?' Pergunte a Jesus: 'O que quer que eu faça? O que quer da minha vida?' Isso é treinar. Conversem com Jesus. E se cometerem um erro, um deslize, não temam. 'Jesus, olha o que eu fiz, o que faço agora?' Mas sempre fale com Jesus, nos bons e maus momentos, não tema. Essa é a oração. Assim vai se treinando o diálogo com Jesus. E também através dos sacramentos, que fazem crescer em nós o amor de Jesus, através do amor fraterno, do saber ouvir, perdoar, do compreender, do perdoar, do acolher, do ajudar os demais, qualquer pessoa sem excluir nem marginalizar ninguém. Esses são os treinamentos para se seguir Jesus: a oração, os sacramentos e o serviço ao próximo. Vamos repetir: oração, sacramentos e ajuda aos demais (público repete).
Terceiro. O campo como canteiro de obras.
Como vemos aqui, como tudo isso foi construído. Os jovens caminharam e construíram juntos a Igreja. Quando o nosso coração é uma terra boa que acolhe a palavra de Deus, quando se 'sua a camisa' procurando viver como cristãos, nós experimentamos algo maravilhoso: nunca estamos sozinhos, fazemos parte de uma família de irmãos que percorrem o mesmo caminho; somos parte da Igreja, mais ainda, tornamo-nos construtores da Igreja e protagonistas da história, em conjunto. Fizeram assim como São Francisco: construir e reparar a Igreja.
Eu pergunto, então: Querem construir a Igreja? Estão animados? E amanhã, será que vão se esquecer que hoje disseram 'sim'? (público responde 'não'). Ah, assim estou gostando. Todos somos parte da Igreja. Mais do que isso, nos transformamos em construtores da Igreja e protagonistas da História. Jovens, por favor, sejam protagonistas, não fiquem na fila da História, não fiquem para trás. Vão lutando, construindo um mundo de paz, solidariedade, amor. Joguem sempre na linha de frente, no ataque!
São Pedro nos diz que somos pedras vivas que formam um edifício espiritual (cf. 1Pe 2,5). E, olhando para este palco, vemos que ele tem a forma de uma igreja, construída com pedras, com tijolos. Na Igreja de Jesus, nós somos as pedras vivas, e Jesus nos pede que construamos a sua Igreja; cada um de nós somos uma pedrinha da construção. Se faltar essa pedrinha, quando chover, vai se formar uma goteira e a casa vai alagar. Cada um desse pedacinho deve cuidar da segurança e da unidade da Igreja. E vai construir uma capelinha, onde cabe somente um grupinho de pessoas? Não, Jesus nos pede que a sua Igreja viva seja tão grande que possa acolher toda a humanidade, que seja casa para todos! Ele diz a mim, a você, a cada um: 'Ide e fazei discípulos entre todas as nações'! Nesta noite, respondamos-lhe: 'sim, também eu quero ser uma pedra viva; juntos queremos edificar a Igreja de Jesus!'
Peço que vocês também sejam protagonistas, superando a apatia e oferecendo uma resposta cristã às inquietações sociais políticas que se colocam em diversas questões do mundo.
Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo! Repitam isso. Agora é com vocês. 'Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo'. Quero que pensem nisso, vocês disseram isso juntos, afinal. No coração jovem de vocês, existe o desejo de construir um mundo melhor. Acompanhei atentamente as notícias e vejo muitos jovens que, em tantas partes do mundo, saíram pelas ruas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Os jovens nas ruas querem ser protagonistas da mudança. Por favor, não deixam que outros sejam protagonistas, sejam vocês. Vocês têm o futuro nas mãos. Por vocês, é que o futuro chegará. Peço que vocês também sejam protagonistas, superando a apatia e oferecendo uma resposta cristã às inquietações sociais políticas que se colocam em diversas uestões do mundo. Peço que sejam construtores do mundo. Envolvam-se num mundo melhor. Por favor, jovens, não sejam covardes, metam-se, saiam para a vida. Jesus não ficou preso dentro de um casulo. Saiam do casulo. Saiam às ruas como fez Jesus.
Mas, fica a pergunta: por onde começar? A quem vamos pedir que se comece isso ou aquilo? Um dia perguntaram a Madre Teresa de Calcutá o que deveria mudar na Igreja, por onde começaria a mudar, ela respondeu: você e eu! Ela tinha muita garra e sabia por onde começar. Hoje, peço então a Madre Teresa e repito as palavras dela: começamos por mim e por você. Por favor, cada um, faça essa mesma pergunta: 'se tenho que começar por mim mesmo, por onde devo começar?' Abram seus corações para que Jesus possa falar por onde devem começar.
Vocês são o campo da fé! Vocês são os atletas de Cristo!
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Folha de São Pauli
Discurso do Papa na nissa na Catedral do Rio
Amados Irmãos em Cristo,
Vendo esta catedral lotada com Bispos, sacerdotes, seminaristas, religiosos e religiosas vindos do mundo inteiro, penso nas palavras do Salmo da Missa de hoje: "Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor" (Sl 66).
Sim, estamos aqui reunidos para glorificar o Senhor; e o fazemos reafirmando a nossa vontade de sermos seus instrumentos, para que não somente algumas nações mas todas glorifiquem o Senhor. Com a mesma paresia --coragem, ousadia-- de Paulo e Barnabé, anunciemos o Evangelho aos nossos jovens para que encontrem Cristo, luz para o caminho, e se tornem construtores de um mundo mais fraterno. Neste sentido, queria refletir com vocês sobre três aspectos da nossa vocação: chamados por Deus; chamados para anunciar o Evangelho; chamados a promover a cultura do encontro.
1. Chamados por Deus. É importante reavivar em nós esta realidade que, frequentemente, damos por descontada em meio a tantas atividades do dia a dia: "Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi", diz-nos Jesus (Jo 15,16).Significa retornar à fonte da nossa chamada.
No início de nosso caminho vocacional, há uma eleição divina. Fomos chamados por Deus, e chamados para permanecer com Jesus (cf. Mc 3, 14), unidos a Ele de um modo tão profundo que nos permite dizer com São Paulo: "Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim" (Gal 2, 20). Este viver em Cristo configura realmente tudo aquilo que somos e fazemos.
E esta "vida em Cristo" é justamente o que garante a nossa eficácia apostólica, a fecundidade do nosso serviço: 'Eu vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça" (Jo 15,16). Não é a criatividade pastoral, não são as reuniões ou planejamentos que garantem os frutos, mas ser fiel a Jesus, que nos diz com insistência: "Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós" (Jo 15, 4).
E nós sabemos bem o que isso significa: Contemplá-lo, adorá-lo e abraçá-lo, particularmente através da nossa fidelidade à vida de oração, do nosso encontro diário com Ele presente na Eucaristia e nas pessoas mais necessitadas. O "permanecer" com Cristo não é se isolar, mas é um permanecer para ir ao encontro dos demais. Vem-me à cabeça umas palavras da Bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá: "Devemos estar muito orgulhosas da nossa vocação, que nos dá a oportunidade de servir Cristo nos pobres. É nas favelas, nos 'cantegriles' nas Villas miseria, que nós devemos ir procurar e servir a Cristo. Devemos ir até eles como o sacerdote se aproxima do altar, cheio de alegria" (Mother Instructions, I, p.80). Jesus, Bom Pastor, é o nosso verdadeiro tesouro; procuremos fixar sempre mais n'Ele o nosso coração (cf. Lc 12, 34).
2. Chamados para anunciar o Evangelho. Queridos bispos e sacerdotes, muitos de vocês, senão todos, vieram acompanhar seus jovens à Jornada Mundial. Eles também ouviram as palavras do mandato de Jesus: "Ide e fazei discípulos entre todas as nações' (cf. Mt 28,19). É nosso compromisso ajudá-los a fazer arder, no seu coração, o desejo de serem discípulos missionários de Jesus. Certamente muitos, diante desse convite, poderiam sentir-se um pouco atemorizados, imaginando que ser missionário significa deixar necessariamente o País, a família e os amigos.
Recordo o meu sonho da juventude: partir missionário para o longínquo Japão. Mas Deus me mostrou que o meu território de missão estava muito mais perto: na minha pátria. Ajudemos os jovens a perceberem que ser discípulo missionário é uma consequência de ser batizado, é parte essencial do ser cristão, e que o primeiro lugar onde evangelizar é a própria casa, o ambiente de estudo ou de trabalho, a família e os amigos. Não poupemos forças na formação da juventude! São Paulo usa uma bela expressão, que se tornou realidade na sua vida, dirigindo-se aos seus cristãos: "Meus filhos, por vós sinto de novo as dores do parto até Cristo ser formado em vós" (Gal 4, 19).
Também nós façamos que isso se torne realidade no nosso ministério! Ajudemos os nossos jovens a descobrir a coragem e a alegria da fé, a alegria de ser pessoalmente amados por Deus, que deu o seu Filho Jesus para nossa salvação. Eduquemo-los para a missão, para sair, para partir. Jesus fez assim com os seus discípulos: não os manteve colados a si, como uma galinha com os seus pintinhos; Ele os enviou! Não podemos ficar encerrados na paróquia, nas nossas comunidades, quando há tanta gente esperando o Evangelho! Não se trata simplesmente de abrir a porta para acolher, mas de sair pela porta fora para procurar e encontrar.
Decididamente pensemos a pastoral a partir da periferia, daqueles que estão mais afastados, daqueles que habitualmente não frequentam a paróquia. Também eles são convidados para a Mesa do Senhor.
3. Chamados a promover a cultura do encontro. Em muitos ambientes, infelizmente, ganhou espaço a cultura da exclusão, a "cultura do descartável". Não há lugar para o idoso, nem para o filho indesejado; não há tempo para se deter com o pobre caído à margem da estrada. Às vezes parece que, para alguns, as relações humanas sejam regidas por dois "dogmas" modernos: eficiência e pragmatismo. Queridos Bispos, sacerdotes, religiosos e também vocês, seminaristas, que se preparam para o ministério, tenham a coragem de ir contra a corrente. Não renunciemos a este dom de Deus: a única família dos seus filhos. O encontro e o acolhimento de todos, a solidariedade e a fraternidade são os elementos que tornam a nossa civilização verdadeiramente humana.
Temos de ser servidores da comunhão e da cultura do encontro. Permitam-me dizer: deveríamos ser quase obsessivos neste aspecto! Não queremos ser presunçosos, impondo as "nossas verdades". O que nos guia é a certeza humilde e feliz de quem foi encontrado, alcançado e transformado pela Verdade que é Cristo, e não pode deixar de anunciá-la (cf. Lc 24, 13-35).
Queridos irmãos e irmãs, fomos chamados por Deus, chamados para anunciar o Evangelho e promover corajosamente a cultura do encontro. A Virgem Maria seja o nosso modelo. Na sua vida, Ela deu "exemplo daquele afeto maternal de que devem estar animados todos quantos cooperam na missão apostólica que a Igreja, tem de regenerar os homens" (Conc. Ecum. Vat. II, Cost. dogm. Lumen gentium, 65). Seja Ela a Estrela que guia com segurança nossos passos ao encontro do Senhor.
Vendo esta catedral lotada com Bispos, sacerdotes, seminaristas, religiosos e religiosas vindos do mundo inteiro, penso nas palavras do Salmo da Missa de hoje: "Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor" (Sl 66).
Sim, estamos aqui reunidos para glorificar o Senhor; e o fazemos reafirmando a nossa vontade de sermos seus instrumentos, para que não somente algumas nações mas todas glorifiquem o Senhor. Com a mesma paresia --coragem, ousadia-- de Paulo e Barnabé, anunciemos o Evangelho aos nossos jovens para que encontrem Cristo, luz para o caminho, e se tornem construtores de um mundo mais fraterno. Neste sentido, queria refletir com vocês sobre três aspectos da nossa vocação: chamados por Deus; chamados para anunciar o Evangelho; chamados a promover a cultura do encontro.
1. Chamados por Deus. É importante reavivar em nós esta realidade que, frequentemente, damos por descontada em meio a tantas atividades do dia a dia: "Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi", diz-nos Jesus (Jo 15,16).Significa retornar à fonte da nossa chamada.
No início de nosso caminho vocacional, há uma eleição divina. Fomos chamados por Deus, e chamados para permanecer com Jesus (cf. Mc 3, 14), unidos a Ele de um modo tão profundo que nos permite dizer com São Paulo: "Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim" (Gal 2, 20). Este viver em Cristo configura realmente tudo aquilo que somos e fazemos.
E esta "vida em Cristo" é justamente o que garante a nossa eficácia apostólica, a fecundidade do nosso serviço: 'Eu vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça" (Jo 15,16). Não é a criatividade pastoral, não são as reuniões ou planejamentos que garantem os frutos, mas ser fiel a Jesus, que nos diz com insistência: "Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós" (Jo 15, 4).
E nós sabemos bem o que isso significa: Contemplá-lo, adorá-lo e abraçá-lo, particularmente através da nossa fidelidade à vida de oração, do nosso encontro diário com Ele presente na Eucaristia e nas pessoas mais necessitadas. O "permanecer" com Cristo não é se isolar, mas é um permanecer para ir ao encontro dos demais. Vem-me à cabeça umas palavras da Bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá: "Devemos estar muito orgulhosas da nossa vocação, que nos dá a oportunidade de servir Cristo nos pobres. É nas favelas, nos 'cantegriles' nas Villas miseria, que nós devemos ir procurar e servir a Cristo. Devemos ir até eles como o sacerdote se aproxima do altar, cheio de alegria" (Mother Instructions, I, p.80). Jesus, Bom Pastor, é o nosso verdadeiro tesouro; procuremos fixar sempre mais n'Ele o nosso coração (cf. Lc 12, 34).
2. Chamados para anunciar o Evangelho. Queridos bispos e sacerdotes, muitos de vocês, senão todos, vieram acompanhar seus jovens à Jornada Mundial. Eles também ouviram as palavras do mandato de Jesus: "Ide e fazei discípulos entre todas as nações' (cf. Mt 28,19). É nosso compromisso ajudá-los a fazer arder, no seu coração, o desejo de serem discípulos missionários de Jesus. Certamente muitos, diante desse convite, poderiam sentir-se um pouco atemorizados, imaginando que ser missionário significa deixar necessariamente o País, a família e os amigos.
Recordo o meu sonho da juventude: partir missionário para o longínquo Japão. Mas Deus me mostrou que o meu território de missão estava muito mais perto: na minha pátria. Ajudemos os jovens a perceberem que ser discípulo missionário é uma consequência de ser batizado, é parte essencial do ser cristão, e que o primeiro lugar onde evangelizar é a própria casa, o ambiente de estudo ou de trabalho, a família e os amigos. Não poupemos forças na formação da juventude! São Paulo usa uma bela expressão, que se tornou realidade na sua vida, dirigindo-se aos seus cristãos: "Meus filhos, por vós sinto de novo as dores do parto até Cristo ser formado em vós" (Gal 4, 19).
Também nós façamos que isso se torne realidade no nosso ministério! Ajudemos os nossos jovens a descobrir a coragem e a alegria da fé, a alegria de ser pessoalmente amados por Deus, que deu o seu Filho Jesus para nossa salvação. Eduquemo-los para a missão, para sair, para partir. Jesus fez assim com os seus discípulos: não os manteve colados a si, como uma galinha com os seus pintinhos; Ele os enviou! Não podemos ficar encerrados na paróquia, nas nossas comunidades, quando há tanta gente esperando o Evangelho! Não se trata simplesmente de abrir a porta para acolher, mas de sair pela porta fora para procurar e encontrar.
Decididamente pensemos a pastoral a partir da periferia, daqueles que estão mais afastados, daqueles que habitualmente não frequentam a paróquia. Também eles são convidados para a Mesa do Senhor.
3. Chamados a promover a cultura do encontro. Em muitos ambientes, infelizmente, ganhou espaço a cultura da exclusão, a "cultura do descartável". Não há lugar para o idoso, nem para o filho indesejado; não há tempo para se deter com o pobre caído à margem da estrada. Às vezes parece que, para alguns, as relações humanas sejam regidas por dois "dogmas" modernos: eficiência e pragmatismo. Queridos Bispos, sacerdotes, religiosos e também vocês, seminaristas, que se preparam para o ministério, tenham a coragem de ir contra a corrente. Não renunciemos a este dom de Deus: a única família dos seus filhos. O encontro e o acolhimento de todos, a solidariedade e a fraternidade são os elementos que tornam a nossa civilização verdadeiramente humana.
Temos de ser servidores da comunhão e da cultura do encontro. Permitam-me dizer: deveríamos ser quase obsessivos neste aspecto! Não queremos ser presunçosos, impondo as "nossas verdades". O que nos guia é a certeza humilde e feliz de quem foi encontrado, alcançado e transformado pela Verdade que é Cristo, e não pode deixar de anunciá-la (cf. Lc 24, 13-35).
Queridos irmãos e irmãs, fomos chamados por Deus, chamados para anunciar o Evangelho e promover corajosamente a cultura do encontro. A Virgem Maria seja o nosso modelo. Na sua vida, Ela deu "exemplo daquele afeto maternal de que devem estar animados todos quantos cooperam na missão apostólica que a Igreja, tem de regenerar os homens" (Conc. Ecum. Vat. II, Cost. dogm. Lumen gentium, 65). Seja Ela a Estrela que guia com segurança nossos passos ao encontro do Senhor.
* Folha de São PAULO
DISCURSO DO FRANSCISCO NO TEATRO MUNICIPAL
Agradeço as amáveis palavras de boas vindas e de apresentação de Dom Orani e
do jovem Walmyr Júnior. Nas senhoras e nos senhores, vejo a memória e a
esperança: a memória do caminho e da consciência da sua Pátria e a esperança que
esta, sempre aberta à luz que irradia do Evangelho de Jesus Cristo, possa
continuar a desenvolver-se no pleno respeito dos princípios éticos fundados na
dignidade transcendente da pessoa.
Todos aqueles que possuem um papel de responsabilidade, em uma Nação, são chamados a enfrentar o futuro "com os olhos calmos de quem sabe ver a verdade", como dizia o pensador brasileiro Alceu Amoroso Lima ["Nosso tempo", in: A vida sobrenatural e o mundo moderno (Rio de Janeiro 1956), 106]. Queria considerar três aspectos deste olhar calmo, sereno e sábio: primeiro, a originalidade de uma tradição cultural; segundo, a responsabilidade solidária para construir o futuro; e terceiro, o diálogo construtivo para encarar o presente.
É importante, antes de tudo, valorizar a originalidade dinâmica que caracteriza a cultura brasileira, com a sua extraordinária capacidade para integrar elementos diversos. O sentir comum de um povo, as bases do seu pensamento e da sua criatividade, os princípios fundamentais da sua vida, os critérios de juízo sobre as prioridades, sobre as normas de ação, assentam numa visão integral da pessoa humana.
Esta visão do homem e da vida, tal como a fez própria o povo brasileiro, muito recebeu da seiva do Evangelho através da Igreja Católica: primeiramente a fé em Jesus Cristo, no amor de Deus e a fraternidade com o próximo. Mas a riqueza desta seiva deve ser plenamente valorizada! Ela pode fecundar um processo cultural fiel à identidade brasileira e construtor de um futuro melhor para todos. Assim se expressou o amado Papa Bento XVI, no discurso de abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Aparecida.
Fazer que a humanização integral e a cultura do encontro e do relacionamento cresçam é o modo cristão de promover o bem comum, a felicidade de viver. E aqui convergem a fé e a razão, a dimensão religiosa com os diversos aspectos da cultura humana: arte, ciência, trabalho, literatura... O cristianismo une transcendência e encarnação; sempre revitaliza o pensamento e a vida, frente a desilusão e o desencanto que invadem os corações e saltam para a rua.
O segundo elemento que queria tocar é a responsabilidade social. Esta exige um certo tipo de paradigma cultural e, consequentemente, de política. Somos responsáveis pela formação de novas gerações, capacitadas na economia e na política, e firmes nos valores éticos. O futuro exige de nós uma visão humanista da economia e uma política que realize cada vez mais e melhor a participação das pessoas, evitando elitismos e erradicando a pobreza. Que ninguém fique privado do necessário, e que a todos sejam asseguradas dignidade, fraternidade e solidariedade: esta é a via a seguir. Já no tempo do profeta Amós era muito forte a advertência de Deus: «Eles vendem o justo por dinheiro, o indigente, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos no pó da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível» (Am 2, 6-7). Os gritos por justiça continuam ainda hoje.
Quem detém uma função de guia deve ter objetivos muito concretos, e buscar os meios específicos para consegui-los. Pode haver, porém, o perigo da desilusão, da amargura, da indiferença, quando as aspirações não se cumprem. A virtude dinâmica da esperança incentiva a ir sempre mais longe, a empregar todas as energias e capacidades a favor das pessoas para quem se trabalha, aceitando os resultados e criando condições para descobrir novos caminhos, dando-se mesmo sem ver resultados, mas mantendo viva a esperança.
A liderança sabe escolher a mais justa entre as opções, após tê-las considerado, partindo da própria
responsabilidade e do interesse pelo bem comum; esta é a forma para chegar ao centro dos males de uma sociedade e vencê-los com a ousadia de ações corajosas e livres. No exercício da nossa responsabilidade, sempre limitada, é importante abarcar o todo da realidade, observando, medindo, avaliando, para tomar decisões na hora presente, mas estendendo o olhar para
o futuro, refletindo sobre as consequências de tais decisões. Quem atua responsavelmente, submete a própria ação aos direitos dos outros e ao juízo de Deus. Este sentido ético aparece, nos nossos dias, como um desafio histórico sem precedentes. Além da racionalidade científica e técnica, na atual situação, impõe-se o vínculo moral com uma responsabilidade social e profundamente solidária.
Para completar o "olhar" que me propus, além do humanismo integral, que respeite a cultura original, e da responsabilidade solidária, termino indicando o que tenho como fundamental para enfrentar o presente: o diálogo construtivo. Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce, quando
dialogam de modo construtivo as suas diversas riquezas culturais: cultura popular, cultura universitária, cultura juvenil, cultura artística e tecnológica, cultura econômica e cultura familiar e cultura da mídia. É impossível imaginar um futuro para a sociedade, sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa democracia que evite o risco de ficar fechada
na pura lógica da representação dos interesses constituídos. Será fundamental a contribuição das grandes tradições religiosas, que desempenham um papel fecundo de fermento da vida social e de animação da democracia. Favorável à pacífica convivência entre religiões diversas é a laicidade do Estado que, sem assumir como própria qualquer posição confessional, respeita e valoriza a presença do fator religioso na sociedade, favorecendo as suas expressões concretas.
Quando os líderes dos diferentes setores me pedem um conselho, a minha resposta é sempre a mesma: diálogo, diálogo, diálogo. A única maneira para uma pessoa, uma família, uma sociedade crescer, a única maneira para fazer avançar a vida dos povos é a cultura do encontro; uma cultura segundo a qual todos têm algo de bom para dar, e todos podem receber em troca algo de bom. O outro tem sempre algo para nos dar, desde que saibamos nos aproximar dele com uma atitude aberta e disponível, sem preconceitos. Só assim pode crescer o bom entendimento entre as culturas e as religiões, a estima de umas pelas outras livre de suposições gratuitas e no respeito pelos direitos de cada uma. Hoje, ou se aposta na cultura do encontro, do diálogo, ou todos perdem; percorrer a estrada justa torna o caminho fecundo e seguro.
Excelências,
Senhoras e Senhores!
Todos aqueles que possuem um papel de responsabilidade, em uma Nação, são chamados a enfrentar o futuro "com os olhos calmos de quem sabe ver a verdade", como dizia o pensador brasileiro Alceu Amoroso Lima ["Nosso tempo", in: A vida sobrenatural e o mundo moderno (Rio de Janeiro 1956), 106]. Queria considerar três aspectos deste olhar calmo, sereno e sábio: primeiro, a originalidade de uma tradição cultural; segundo, a responsabilidade solidária para construir o futuro; e terceiro, o diálogo construtivo para encarar o presente.
É importante, antes de tudo, valorizar a originalidade dinâmica que caracteriza a cultura brasileira, com a sua extraordinária capacidade para integrar elementos diversos. O sentir comum de um povo, as bases do seu pensamento e da sua criatividade, os princípios fundamentais da sua vida, os critérios de juízo sobre as prioridades, sobre as normas de ação, assentam numa visão integral da pessoa humana.
Esta visão do homem e da vida, tal como a fez própria o povo brasileiro, muito recebeu da seiva do Evangelho através da Igreja Católica: primeiramente a fé em Jesus Cristo, no amor de Deus e a fraternidade com o próximo. Mas a riqueza desta seiva deve ser plenamente valorizada! Ela pode fecundar um processo cultural fiel à identidade brasileira e construtor de um futuro melhor para todos. Assim se expressou o amado Papa Bento XVI, no discurso de abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Aparecida.
Fazer que a humanização integral e a cultura do encontro e do relacionamento cresçam é o modo cristão de promover o bem comum, a felicidade de viver. E aqui convergem a fé e a razão, a dimensão religiosa com os diversos aspectos da cultura humana: arte, ciência, trabalho, literatura... O cristianismo une transcendência e encarnação; sempre revitaliza o pensamento e a vida, frente a desilusão e o desencanto que invadem os corações e saltam para a rua.
O segundo elemento que queria tocar é a responsabilidade social. Esta exige um certo tipo de paradigma cultural e, consequentemente, de política. Somos responsáveis pela formação de novas gerações, capacitadas na economia e na política, e firmes nos valores éticos. O futuro exige de nós uma visão humanista da economia e uma política que realize cada vez mais e melhor a participação das pessoas, evitando elitismos e erradicando a pobreza. Que ninguém fique privado do necessário, e que a todos sejam asseguradas dignidade, fraternidade e solidariedade: esta é a via a seguir. Já no tempo do profeta Amós era muito forte a advertência de Deus: «Eles vendem o justo por dinheiro, o indigente, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos no pó da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível» (Am 2, 6-7). Os gritos por justiça continuam ainda hoje.
Quem detém uma função de guia deve ter objetivos muito concretos, e buscar os meios específicos para consegui-los. Pode haver, porém, o perigo da desilusão, da amargura, da indiferença, quando as aspirações não se cumprem. A virtude dinâmica da esperança incentiva a ir sempre mais longe, a empregar todas as energias e capacidades a favor das pessoas para quem se trabalha, aceitando os resultados e criando condições para descobrir novos caminhos, dando-se mesmo sem ver resultados, mas mantendo viva a esperança.
A liderança sabe escolher a mais justa entre as opções, após tê-las considerado, partindo da própria
responsabilidade e do interesse pelo bem comum; esta é a forma para chegar ao centro dos males de uma sociedade e vencê-los com a ousadia de ações corajosas e livres. No exercício da nossa responsabilidade, sempre limitada, é importante abarcar o todo da realidade, observando, medindo, avaliando, para tomar decisões na hora presente, mas estendendo o olhar para
o futuro, refletindo sobre as consequências de tais decisões. Quem atua responsavelmente, submete a própria ação aos direitos dos outros e ao juízo de Deus. Este sentido ético aparece, nos nossos dias, como um desafio histórico sem precedentes. Além da racionalidade científica e técnica, na atual situação, impõe-se o vínculo moral com uma responsabilidade social e profundamente solidária.
Para completar o "olhar" que me propus, além do humanismo integral, que respeite a cultura original, e da responsabilidade solidária, termino indicando o que tenho como fundamental para enfrentar o presente: o diálogo construtivo. Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce, quando
dialogam de modo construtivo as suas diversas riquezas culturais: cultura popular, cultura universitária, cultura juvenil, cultura artística e tecnológica, cultura econômica e cultura familiar e cultura da mídia. É impossível imaginar um futuro para a sociedade, sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa democracia que evite o risco de ficar fechada
na pura lógica da representação dos interesses constituídos. Será fundamental a contribuição das grandes tradições religiosas, que desempenham um papel fecundo de fermento da vida social e de animação da democracia. Favorável à pacífica convivência entre religiões diversas é a laicidade do Estado que, sem assumir como própria qualquer posição confessional, respeita e valoriza a presença do fator religioso na sociedade, favorecendo as suas expressões concretas.
Quando os líderes dos diferentes setores me pedem um conselho, a minha resposta é sempre a mesma: diálogo, diálogo, diálogo. A única maneira para uma pessoa, uma família, uma sociedade crescer, a única maneira para fazer avançar a vida dos povos é a cultura do encontro; uma cultura segundo a qual todos têm algo de bom para dar, e todos podem receber em troca algo de bom. O outro tem sempre algo para nos dar, desde que saibamos nos aproximar dele com uma atitude aberta e disponível, sem preconceitos. Só assim pode crescer o bom entendimento entre as culturas e as religiões, a estima de umas pelas outras livre de suposições gratuitas e no respeito pelos direitos de cada uma. Hoje, ou se aposta na cultura do encontro, do diálogo, ou todos perdem; percorrer a estrada justa torna o caminho fecundo e seguro.
Excelências,
Senhoras e Senhores!
sábado, 27 de julho de 2013
O Brasil não perdoa nem o Papa
Não passa despercebida a ponta de inveja que se insinua na manchete "Perdemos
para isso?", estampada com destaque na capa do jornal "Chicago Sun-Times".
Ao salientar os tumultos nas ruas do Rio de Janeiro nesta semana, o periódico certamente desconta a frustração da cidade americana por ter perdido para os cariocas a organização dos Jogos Olímpicos de 2016.
Isso não retira a razão de quem observa as reiteradas falhas durante os eventos ligados à Jornada Mundial da Juventude, no Rio. Publicações americanas insuspeitas, como "The New York Times", também ressaltaram episódios constrangedores ocorridos nesta visita do papa Francisco ao Brasil.
A repercussão internacional, é claro, decorre em parte da própria dimensão do megaevento católico, ainda mais se realizado num país que sediará a Copa do Mundo já no ano que vem. Não há como ignorar, todavia, o quanto a visão crítica estrangeira revela a respeito do despreparo brasileiro.
O erro no trajeto da comitiva de Francisco logo após sua chegada ao Brasil expôs o pontífice a um risco imponderável, mas a circunstância insólita --que, por sorte, teve final feliz-- se apequenou perante problemas menos fortuitos.
A pane elétrica no metrô do Rio na terça-feira, por exemplo, tem menos de episódico e mais de estrutural. Com os vagões parados por duas horas, milhares de fiéis custaram a chegar à missa de abertura da jornada, em Copacabana.
Poderia ser este o resultado da sobrecarga de passageiros, mas a própria concessionária do metrô tratou de esclarecer que a interrupção foi provocada pelo rompimento de um cabo de energia, num fato sem relação com o movimento mais intenso daquele dia.
Da mesma forma, tem pouco de ocasional a mudança, feita de última hora, no local da vigília e da missa de encerramento da jornada. Verdade que as chuvas são as responsáveis diretas por essa alteração, mas montar uma estrutura em terreno que, segundo especialistas, é "naturalmente alagável" evidencia a falha de planejamento.
Também a polícia mostra-se despreparada. Repetiram-se no Rio os confrontos, verificados como a cidadania para um aprendizado mais profundo: como sempre digo aqui: em termos financeiros, corrupção é um mal menor quando comparado ao desperdício.
Folha De São Paulo
Ao salientar os tumultos nas ruas do Rio de Janeiro nesta semana, o periódico certamente desconta a frustração da cidade americana por ter perdido para os cariocas a organização dos Jogos Olímpicos de 2016.
Isso não retira a razão de quem observa as reiteradas falhas durante os eventos ligados à Jornada Mundial da Juventude, no Rio. Publicações americanas insuspeitas, como "The New York Times", também ressaltaram episódios constrangedores ocorridos nesta visita do papa Francisco ao Brasil.
A repercussão internacional, é claro, decorre em parte da própria dimensão do megaevento católico, ainda mais se realizado num país que sediará a Copa do Mundo já no ano que vem. Não há como ignorar, todavia, o quanto a visão crítica estrangeira revela a respeito do despreparo brasileiro.
O erro no trajeto da comitiva de Francisco logo após sua chegada ao Brasil expôs o pontífice a um risco imponderável, mas a circunstância insólita --que, por sorte, teve final feliz-- se apequenou perante problemas menos fortuitos.
A pane elétrica no metrô do Rio na terça-feira, por exemplo, tem menos de episódico e mais de estrutural. Com os vagões parados por duas horas, milhares de fiéis custaram a chegar à missa de abertura da jornada, em Copacabana.
Poderia ser este o resultado da sobrecarga de passageiros, mas a própria concessionária do metrô tratou de esclarecer que a interrupção foi provocada pelo rompimento de um cabo de energia, num fato sem relação com o movimento mais intenso daquele dia.
Da mesma forma, tem pouco de ocasional a mudança, feita de última hora, no local da vigília e da missa de encerramento da jornada. Verdade que as chuvas são as responsáveis diretas por essa alteração, mas montar uma estrutura em terreno que, segundo especialistas, é "naturalmente alagável" evidencia a falha de planejamento.
Também a polícia mostra-se despreparada. Repetiram-se no Rio os confrontos, verificados como a cidadania para um aprendizado mais profundo: como sempre digo aqui: em termos financeiros, corrupção é um mal menor quando comparado ao desperdício.
Folha De São Paulo
Perdemos para isso?
Não passa despercebida a ponta de inveja que se insinua na manchete "Perdemos
para isso?", estampada com destaque na capa do jornal "Chicago Sun-Times".
Ao salientar os tumultos nas ruas do Rio de Janeiro nesta semana, o periódico certamente desconta a frustração da cidade americana por ter perdido para os cariocas a organização dos Jogos Olímpicos de 2016.
Isso não retira a razão de quem observa as reiteradas falhas durante os eventos ligados à Jornada Mundial da Juventude, no Rio. Publicações americanas insuspeitas, como "The New York Times", também ressaltaram episódios constrangedores ocorridos nesta visita do papa Francisco ao Brasil.
A repercussão internacional, é claro, decorre em parte da própria dimensão do megaevento católico, ainda mais se realizado num país que sediará a Copa do Mundo já no ano que vem. Não há como ignorar, todavia, o quanto a visão crítica estrangeira revela a respeito do despreparo brasileiro.
O erro no trajeto da comitiva de Francisco logo após sua chegada ao Brasil expôs o pontífice a um risco imponderável, mas a circunstância insólita --que, por sorte, teve final feliz-- se apequenou perante problemas menos fortuitos.
A pane elétrica no metrô do Rio na terça-feira, por exemplo, tem menos de episódico e mais de estrutural. Com os vagões parados por duas horas, milhares de fiéis custaram a chegar à missa de abertura da jornada, em Copacabana.
Poderia ser este o resultado da sobrecarga de passageiros, mas a própria concessionária do metrô tratou de esclarecer que a interrupção foi provocada pelo rompimento de um cabo de energia, num fato sem relação com o movimento mais intenso daquele dia.
Da mesma forma, tem pouco de ocasional a mudança, feita de última hora, no local da vigília e da missa de encerramento da jornada. Verdade que as chuvas são as responsáveis diretas por essa alteração, mas montar uma estrutura em terreno que, segundo especialistas, é "naturalmente alagável" evidencia a falha de planejamento.
Também a polícia mostra-se despreparada. Repetiram-se no Rio os confrontos, verificados desde os protestos de junho entre agente do estado e manifestantes. Em uma tentativa inconstitucional de evitar excesso, as forças paulistas prometeram barrar em Aparecida, cartazes e faixa ofensivas "a integridade do pontífice"
Talvez adormecidos por anos sem manifestações, dessa natureza no Brasil, as autoridades precisam resolver a capacidade e conter com o mínimo de conflito, as facções violentas, ação preventivas da politica fluminense a partir da quinta- feira, com os grupos de agentes, misturados a multidão, parece indicar algum aprendizado.
Ainda é muito pouco porém, para um país que pretende ter tamanha projeção internacional.
Santa Folha
Ao salientar os tumultos nas ruas do Rio de Janeiro nesta semana, o periódico certamente desconta a frustração da cidade americana por ter perdido para os cariocas a organização dos Jogos Olímpicos de 2016.
Isso não retira a razão de quem observa as reiteradas falhas durante os eventos ligados à Jornada Mundial da Juventude, no Rio. Publicações americanas insuspeitas, como "The New York Times", também ressaltaram episódios constrangedores ocorridos nesta visita do papa Francisco ao Brasil.
A repercussão internacional, é claro, decorre em parte da própria dimensão do megaevento católico, ainda mais se realizado num país que sediará a Copa do Mundo já no ano que vem. Não há como ignorar, todavia, o quanto a visão crítica estrangeira revela a respeito do despreparo brasileiro.
O erro no trajeto da comitiva de Francisco logo após sua chegada ao Brasil expôs o pontífice a um risco imponderável, mas a circunstância insólita --que, por sorte, teve final feliz-- se apequenou perante problemas menos fortuitos.
A pane elétrica no metrô do Rio na terça-feira, por exemplo, tem menos de episódico e mais de estrutural. Com os vagões parados por duas horas, milhares de fiéis custaram a chegar à missa de abertura da jornada, em Copacabana.
Poderia ser este o resultado da sobrecarga de passageiros, mas a própria concessionária do metrô tratou de esclarecer que a interrupção foi provocada pelo rompimento de um cabo de energia, num fato sem relação com o movimento mais intenso daquele dia.
Da mesma forma, tem pouco de ocasional a mudança, feita de última hora, no local da vigília e da missa de encerramento da jornada. Verdade que as chuvas são as responsáveis diretas por essa alteração, mas montar uma estrutura em terreno que, segundo especialistas, é "naturalmente alagável" evidencia a falha de planejamento.
Também a polícia mostra-se despreparada. Repetiram-se no Rio os confrontos, verificados desde os protestos de junho entre agente do estado e manifestantes. Em uma tentativa inconstitucional de evitar excesso, as forças paulistas prometeram barrar em Aparecida, cartazes e faixa ofensivas "a integridade do pontífice"
Talvez adormecidos por anos sem manifestações, dessa natureza no Brasil, as autoridades precisam resolver a capacidade e conter com o mínimo de conflito, as facções violentas, ação preventivas da politica fluminense a partir da quinta- feira, com os grupos de agentes, misturados a multidão, parece indicar algum aprendizado.
Ainda é muito pouco porém, para um país que pretende ter tamanha projeção internacional.
Santa Folha
Fantasias de "Fome Zero"
O sucesso delineado na ampla adesão dos municípios ao programa ‘Mais Médicos’ deve ser analisado exaustivamente.
Talvez represente mais que um alívio pontual no cerco conservador anabolizado pelas manifestações de junho, cujo impacto nos índices de aprovação ao governo tem sido reiterado, em meticuloso rodízio, pelos institutos de pesquisa.
A análise do programa lançado pelo ministério da Saúde, há menos de um mês, poderá inspirar uma bem-vinda reconciliação com a dimensão política da luta pelo desenvolvimento, esgarçada nos últimos anos por um certo viés economicista.
Desde 2010, sabia-se que a substituição do ativismo visceral de Lula pela racionalidade administrativa de Dilma implicaria em mudanças de ênfase.
Que pareciam adequadas, diga-se.
O Brasil necessitava consolidar as múltiplas frentes abertas desde 2003, ademais de retificar flancos estruturais que emergiram no processo.
Para listar apenas os da agenda econômica: a valorização cambial desindustrializante, o obsceno custo financeiro, a carência de detalhamento para grandes projetos de infraestrutura etc.
A combinação entre a ênfase administrativa do novo governo e a retaguarda política do antecessor parecia perfeita.
Dilma era a chefe de governo. Lula, o chefe político.
A doença do ex-presidente acendeu o farol amarelo. As manifestações de junho piscaram o vermelho.
O blend teórico entre o político e o administrativo mostrou sua vulnerabilidade quando submetido à pressão contundente das ruas.
A interação entre os canais emperrou na ausência de mecanismos de resposta rápida.
Não só.
A inexistência de quadros intermediários capazes de reunir uma versatilidade dissociada na cúpula fez o resto.
Em lugar de criatividade e prontidão, emergiu a face apática de uma equipe pautada pelo engessamento administrativo e o timming burocrático.
Um arquipélago desprovido do oceano político capaz de uni-lo.
Não se trata de desdenhar o que é fundamental.
O planejamento público de longo prazo, de que sempre se ressentiu a economia brasileira.
O governo Dilma veio preencher essa lacuna histórica.
O que tem feito com sucesso, em parte.
A emergência política instaurada a partir de junho evidenciaria, no entanto, a insuficiência da especialização quando o relógio político é ajustado pelas ruas.
Uma rotina engessada no labirinto de licitações e licenciamentos, subordinada ao desafio da engenharia financeira, refém de uma enervante sucessão de postergações de prazos e obras, mostrou que um governo não pode se reduzir a um escritório de acompanhamento de projetos.
Não qualquer governo em qualquer época: mas o do Brasil, sob cerco conservador e em meio às turbulência de uma transição de ciclo econômico internacional.
Intuitivamente, o ‘Mais Médicos’ ataca esses flancos.
Seu desenho resgata um modelo de ação engajada cuja cepa remete às premissas da política de segurança alimentar, combate à fome e à miséria, lançada em 2003, com o nome fantasia de ‘Fome Zero’.
Atacar o emergencial e o estrutural, ao mesmo tempo e com igual intensidade, era o cerne da estratégia contra o intolerável.
Fixar prazos críveis e benefícios visíveis no horizonte imediato da sociedade, um ingrediente mobilizador.
Outro: estabelecer metas de apelo popular que colocavam sob pressão instancias políticas e administrativas, de cuja adesão dependia o sucesso da política.
No caso da política de combate fome e à miséria, o carro-chefe foi o benefício do cartão-alimentação (hoje Bolsa Família).
A dimensão estrutural incluía a ampliação do crédito à agricultura familiar; as aquisições diretas do pequeno produtor; o ganho real do salário mínimo; a urbanização das favelas; o Fundeb, etc.
Mas, sobretudo, o pano de fundo político merece ser resgatado.
Ele envolve uma determinação férrea de libertar a ação pública da morosidade incremental, incompatível com os ponteiros da urgência brasileira.
Transferir recursos aos pobres, diretamente, no Brasil de 2003, em meio ao terceiro turno declarado pelo cerco conservador, significava para o governo abrir um atalho de respaldo político indispensável.
Para o conservadorismo era o anátema.
E assim foi tratado.
A palavra fome nunca teve trânsito livre num vocabulário político dominado pela conveniência do dinheiro grosso.
Em 1946, quando lançou o seu ‘Geografia da Fome, o médico, comunista e diplomata, Josué de Castro, foi pressionado a trocar o título do livro por algo mais palatável às vergonhas seculares de nossas elites.
Não o fez. A obra tornar-se-ia um clássico da decifração de estruturas reprodutoras da exclusão condensadas na palavra incômoda.
Quando lançou o ‘Fome Zero’, o governo Lula sofreria igual constrangimento.
A mídia derrotada nas urnas ergueu um cinturão de asfixia em torno do programa, contando com o obsequioso auxílio de parte da academia.
Os argumentos utilizados, então, lembram muito a fuzilaria atual contra o ‘Mais Médicos’.
Ineficaz, inconstitucional e eleitoreiro foram alguns mísseis disparados na primeira hora. Esgotada a munição para o abate em pleno voo, recorreu-se ao clássico artifício da sensatez protelatória – ‘são problemas estruturais, é preciso uma discussão mais profunda’.
A exemplo da fome, quão mais profunda terá que ser a discussão sobre uma notória, documentada e intolerável ausência de atendimento médico nas áreas mais pobres do país?
O governo dispõe de números convincentes. E tem alternativas ao boicote esperado.
À falta de candidatos para ocupar vazios no interior do país, profissionais serão requisitados no estrangeiro.
Ao carimbo de ‘remendo’, a dimensão emergencial do programa responde com iniciativas estruturais: R$ 15 bilhões de investimentos em obras e equipamentos de saúde; reforma no currículo da medicina, vinculando-o à prestação de serviços ao SUS.
Prazos curtos de implantação atropelam o cerco conservador criando um calendário sensível, capaz de disputar a atenção de uma opinião pública exaurida pelo bombardeio midiático.
O Ministério da Saúde deu prazo até esta 5ª feira para os prefeitos interessados manifestarem a adesão ao programa.
Utilizou rádios no interior para chegar à população e furar a sabotagem dos grandes veículos de comunicação.
Como um prefeito tucano explicaria, à fila no posto de saúde, a rejeição a um programa que promete elevar o padrão de atendimento local?
O insustentável se refletiu no perfil suprapartidário das adesões: mais de 40% dos prefeitos do PSDB se juntaram a um programa desdenhado por Aécio e assemelhados. Mas que recebeu a inscrição de 63% dos municípios brasileiro
Depurados os integrantes da constrangedora sabotagem corporativa, profissionais brasileiros que aderiram ao programa serão chamados a escolher os municípios onde querem atuar.
Terão até 3 de agosto para faze-lo.
Quarenta e oito horas depois, as escolhas serão validadas no Diário Oficial da União.
Vagas não preenchidas serão divulgadas no dia 6 de agosto: profissionais estrangeiros --foram 2.000 inscritos-- serão convidados a preenche-las até 8 de agosto.
Ou seja, apenas 30 dias depois de anunciado, o programa emitirá sinais concretos de mudança na vida de cidades e cidadãos, até então condenados a uma combinação perversa de precariedade e incerteza no acesso a um serviço vital.
A vitória no emergencial amplia o chão firme do governo para ousar em ações de caráter estrutural, a exemplo do financiamento fiscal do setor, bem como da reforma no ensino da medicina.
O ‘Mais Médicos’ tem fôlego para se transformar no ‘Bolsa Família’ da saúde pública brasileira.
O governo não pode desperdiçar o potencial dessa experiência. Nem as lições que ela encerra para iniciativas em áreas às voltas com desafios de gravidade e apelo similares.
A presidenta Dilma teria muito a ganhar com isso.
E o país mais ainda.
Talvez represente mais que um alívio pontual no cerco conservador anabolizado pelas manifestações de junho, cujo impacto nos índices de aprovação ao governo tem sido reiterado, em meticuloso rodízio, pelos institutos de pesquisa.
A análise do programa lançado pelo ministério da Saúde, há menos de um mês, poderá inspirar uma bem-vinda reconciliação com a dimensão política da luta pelo desenvolvimento, esgarçada nos últimos anos por um certo viés economicista.
Desde 2010, sabia-se que a substituição do ativismo visceral de Lula pela racionalidade administrativa de Dilma implicaria em mudanças de ênfase.
Que pareciam adequadas, diga-se.
O Brasil necessitava consolidar as múltiplas frentes abertas desde 2003, ademais de retificar flancos estruturais que emergiram no processo.
Para listar apenas os da agenda econômica: a valorização cambial desindustrializante, o obsceno custo financeiro, a carência de detalhamento para grandes projetos de infraestrutura etc.
A combinação entre a ênfase administrativa do novo governo e a retaguarda política do antecessor parecia perfeita.
Dilma era a chefe de governo. Lula, o chefe político.
A doença do ex-presidente acendeu o farol amarelo. As manifestações de junho piscaram o vermelho.
O blend teórico entre o político e o administrativo mostrou sua vulnerabilidade quando submetido à pressão contundente das ruas.
A interação entre os canais emperrou na ausência de mecanismos de resposta rápida.
Não só.
A inexistência de quadros intermediários capazes de reunir uma versatilidade dissociada na cúpula fez o resto.
Em lugar de criatividade e prontidão, emergiu a face apática de uma equipe pautada pelo engessamento administrativo e o timming burocrático.
Um arquipélago desprovido do oceano político capaz de uni-lo.
Não se trata de desdenhar o que é fundamental.
O planejamento público de longo prazo, de que sempre se ressentiu a economia brasileira.
O governo Dilma veio preencher essa lacuna histórica.
O que tem feito com sucesso, em parte.
A emergência política instaurada a partir de junho evidenciaria, no entanto, a insuficiência da especialização quando o relógio político é ajustado pelas ruas.
Uma rotina engessada no labirinto de licitações e licenciamentos, subordinada ao desafio da engenharia financeira, refém de uma enervante sucessão de postergações de prazos e obras, mostrou que um governo não pode se reduzir a um escritório de acompanhamento de projetos.
Não qualquer governo em qualquer época: mas o do Brasil, sob cerco conservador e em meio às turbulência de uma transição de ciclo econômico internacional.
Intuitivamente, o ‘Mais Médicos’ ataca esses flancos.
Seu desenho resgata um modelo de ação engajada cuja cepa remete às premissas da política de segurança alimentar, combate à fome e à miséria, lançada em 2003, com o nome fantasia de ‘Fome Zero’.
Atacar o emergencial e o estrutural, ao mesmo tempo e com igual intensidade, era o cerne da estratégia contra o intolerável.
Fixar prazos críveis e benefícios visíveis no horizonte imediato da sociedade, um ingrediente mobilizador.
Outro: estabelecer metas de apelo popular que colocavam sob pressão instancias políticas e administrativas, de cuja adesão dependia o sucesso da política.
No caso da política de combate fome e à miséria, o carro-chefe foi o benefício do cartão-alimentação (hoje Bolsa Família).
A dimensão estrutural incluía a ampliação do crédito à agricultura familiar; as aquisições diretas do pequeno produtor; o ganho real do salário mínimo; a urbanização das favelas; o Fundeb, etc.
Mas, sobretudo, o pano de fundo político merece ser resgatado.
Ele envolve uma determinação férrea de libertar a ação pública da morosidade incremental, incompatível com os ponteiros da urgência brasileira.
Transferir recursos aos pobres, diretamente, no Brasil de 2003, em meio ao terceiro turno declarado pelo cerco conservador, significava para o governo abrir um atalho de respaldo político indispensável.
Para o conservadorismo era o anátema.
E assim foi tratado.
A palavra fome nunca teve trânsito livre num vocabulário político dominado pela conveniência do dinheiro grosso.
Em 1946, quando lançou o seu ‘Geografia da Fome, o médico, comunista e diplomata, Josué de Castro, foi pressionado a trocar o título do livro por algo mais palatável às vergonhas seculares de nossas elites.
Não o fez. A obra tornar-se-ia um clássico da decifração de estruturas reprodutoras da exclusão condensadas na palavra incômoda.
Quando lançou o ‘Fome Zero’, o governo Lula sofreria igual constrangimento.
A mídia derrotada nas urnas ergueu um cinturão de asfixia em torno do programa, contando com o obsequioso auxílio de parte da academia.
Os argumentos utilizados, então, lembram muito a fuzilaria atual contra o ‘Mais Médicos’.
Ineficaz, inconstitucional e eleitoreiro foram alguns mísseis disparados na primeira hora. Esgotada a munição para o abate em pleno voo, recorreu-se ao clássico artifício da sensatez protelatória – ‘são problemas estruturais, é preciso uma discussão mais profunda’.
A exemplo da fome, quão mais profunda terá que ser a discussão sobre uma notória, documentada e intolerável ausência de atendimento médico nas áreas mais pobres do país?
O governo dispõe de números convincentes. E tem alternativas ao boicote esperado.
À falta de candidatos para ocupar vazios no interior do país, profissionais serão requisitados no estrangeiro.
Ao carimbo de ‘remendo’, a dimensão emergencial do programa responde com iniciativas estruturais: R$ 15 bilhões de investimentos em obras e equipamentos de saúde; reforma no currículo da medicina, vinculando-o à prestação de serviços ao SUS.
Prazos curtos de implantação atropelam o cerco conservador criando um calendário sensível, capaz de disputar a atenção de uma opinião pública exaurida pelo bombardeio midiático.
O Ministério da Saúde deu prazo até esta 5ª feira para os prefeitos interessados manifestarem a adesão ao programa.
Utilizou rádios no interior para chegar à população e furar a sabotagem dos grandes veículos de comunicação.
Como um prefeito tucano explicaria, à fila no posto de saúde, a rejeição a um programa que promete elevar o padrão de atendimento local?
O insustentável se refletiu no perfil suprapartidário das adesões: mais de 40% dos prefeitos do PSDB se juntaram a um programa desdenhado por Aécio e assemelhados. Mas que recebeu a inscrição de 63% dos municípios brasileiro
Depurados os integrantes da constrangedora sabotagem corporativa, profissionais brasileiros que aderiram ao programa serão chamados a escolher os municípios onde querem atuar.
Terão até 3 de agosto para faze-lo.
Quarenta e oito horas depois, as escolhas serão validadas no Diário Oficial da União.
Vagas não preenchidas serão divulgadas no dia 6 de agosto: profissionais estrangeiros --foram 2.000 inscritos-- serão convidados a preenche-las até 8 de agosto.
Ou seja, apenas 30 dias depois de anunciado, o programa emitirá sinais concretos de mudança na vida de cidades e cidadãos, até então condenados a uma combinação perversa de precariedade e incerteza no acesso a um serviço vital.
A vitória no emergencial amplia o chão firme do governo para ousar em ações de caráter estrutural, a exemplo do financiamento fiscal do setor, bem como da reforma no ensino da medicina.
O ‘Mais Médicos’ tem fôlego para se transformar no ‘Bolsa Família’ da saúde pública brasileira.
O governo não pode desperdiçar o potencial dessa experiência. Nem as lições que ela encerra para iniciativas em áreas às voltas com desafios de gravidade e apelo similares.
A presidenta Dilma teria muito a ganhar com isso.
E o país mais ainda.
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