BRASÍLIA - A definição sobre o futuro do julgamento do maior escândalo político
do governo Lula está nas mãos de um único ministro do Supremo Tribunal
Federal.
Caberá a Celso de Mello decidir, na próxima semana, se alguns
dos condenados terão direito a um novo julgamento, o que pode arrastar a
conclusão do processo e beneficiar figuras centrais do mensalão.
A
depender do que o ministro já disse sobre os novos recursos, há chances
concretas de o processo se estender por pelo menos mais um ano, acrescentando
assim novo ingrediente à corrida eleitoral de 2014.
Mas ninguém, dentro
ou fora do Supremo, se arrisca a cravar se a defesa dos recursos feita pelo
ministro no ano passado está refletida no voto que será conhecido no início da
tarde da próxima quarta-feira.
Até lá, a pressão sobre o decano será
enorme. Com a corte dividida, cada lado tentará convencer o ministro ao longo
dos próximos dias a endossar seus argumentos.
Esse jogo foi iniciado
ontem mesmo. Os ministros Marco Aurélio e Gilmar Mendes se estenderam o quanto
foi possível em seus votos para que a sessão fosse encerrada antes da fala de
Celso de Mello.
A estratégia montada para ganhar tempo foi
clara.
Marco Aurélio também reconheceu o peso que foi jogado nas costas
do colega quando afirmou que a solidariedade não pode ser praticada de forma
absoluta.
"Se pudesse, não jogaria sobre os ombros, que entendo largos, a
responsabilidade pela definição da matéria pelo ministro Celso de
Mello."
Para completar o quadro de indefinição que vai perdurar até a
semana que vem, o próprio decano, ao ser questionado se teria "evoluído" de sua
posição sobre os embargos infringentes, respondeu de forma enigmática: "Acho que
não evoluí. Será que evoluí?".
Alguém da plateia nunca responderá esta unta pergunta
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