Este 7 de setembro chega carregado das pesadas ameaças que foram se acumulando
nestas últimas semanas nas redes sociais. Faço votos para que elas não se
concretizem com violência por ocasião das paradas militares e nem venham a
ocorrer logo mais à tarde, durante o amistoso do Brasil contra a Austrália. Do
Palácio do Planalto aos quartéis da PM, criou-se uma tensa expectativa em
relação ao “maior protesto da história do Brasil”, convocado por vários grupos
ativistas, principalmente os mascarados Anonymous, cuja “Op7” estava prevendo
manifestações em mais de 170 cidades. Dos 5 milhões de convites distribuídos
pelo Facebook, mais de 400 mil haviam confirmado participação no chamado
“badernaço”. Também os encapuzados Black Blocs pretendem promover badernas em
outras tantas cidades. No Rio, depois de um “Ocupa Cabral” por 40 dias, eles
desmontaram ontem o acampamento do Leblon, alegando que querem “descansar” para
os atos de hoje. Dali saiu a cara feminina do movimento que, encoberta e
deixando aparecer apenas os olhos, foi parar na capa da “Veja” e na coluna de
Caetano: “Os olhos de Emma são lindos”, ele escreveu, “de uma cor verde-cinza e
com forma e tamanho muito harmônicos com o pedaço do rosto cuja pele está de
fora.”
Ao contrário de seus cinco colegas de grupo que foram presos esta
semana, Emma, pelo que tenho sabido, corre o risco de acabar não na cadeia, mas
nas páginas da “Playboy”. Além dos belos olhos, essa ativista de 25 anos usa
como arma as palavras radicais que compõem o seu discurso político. Já os seus
companheiros Black Blocs foram autuados por formação de quadrilha armada e
incitação à violência. É que em suas casas a polícia encontrou facas, máscaras,
capuzes e um artefato feito com pregos e cola capaz de furar pneus e o corpo
humano. Segundo a delegada Marta Rocha, as armas seriam usadas no
“badernaço”.
A tensão pré-7 de setembro produziu um efeito benéfico:
levou à tomada de medidas preventivas contra os excessos de um lado e do outro.
Pelo menos no Rio os PMs não deverão se infiltrar disfarçados nos protestos,
como foram acusados de fazer antes, e os manifestantes não poderão usar máscaras
ou capuzes, ou até poderão, mas terão que se identificar sempre que solicitados
por um policial, que agora está autorizado pela Justiça a conduzi-los a uma
delegacia e de lá, conforme o caso, a uma prisão. Com isso, quem sabe, vamos
ouvir de novo a palavra de ordem predominante nos primeiros momentos das
memoráveis manifestações de junho: “Sem violência
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