RIO DE JANEIRO - Os menores de 30 anos podem não acreditar, mas já houve tempo
em que "sexo oral" tanto podia significar a clássica modalidade olímpica como
infindáveis discussões entre homens e mulheres sobre sexo, antes ou depois do
dito --às vezes, durante. Os homens, procurando razões profundas para possíveis
disfunções. As mulheres, atormentadas em busca do orgasmo que insistia em
escapar-lhes.
Uma dupla de pesquisadores americanos, o dr. William H.
Masters e sua assistente Virginia Johnson, foi decisiva para limpar a área e
estabelecer novos conceitos. Suas descobertas de laboratório, trabalhando com
centenas de voluntários, levaram ao livro "A Conduta Sexual Humana", publicado
em 1966 nos EUA e vulgarizado em inúmeras publicações populares dos anos 70. No
Brasil, revistas como "Playboy" e "Nova" tornaram certas expressões, como
"ejaculação precoce", "orgasmo clitoridiano" e outras, tão corriqueiras quanto a
quantidade de ovos numa receita de pudim.
Masters e Johnson eram sérios e
deram um passo adiante em relação ao "Relatório Kinsey", de 1948. Graças ao
casal, os terapeutas se convenceram de que certas impotências podiam ser
provocadas por uma prosaica veia entupida, e não porque o sujeito quisesse matar
a avó; e de que não havia diferença fisiológica entre os orgasmos via vagina e
clitóris, o que tornava sem sentido a ideia de que só o primeiro seria um
orgasmo "maduro", como queria Freud.
Infelizmente, Masters e Johnson
resultaram também em picaretas como Shere Hite, autora do "Relatório Hite", para
quem a descoberta do clitóris pelas mulheres reduzia o homem a um apêndice
inútil. Eu próprio, na época, ouvi isso, no Rio, de lindas feministas --sim,
havia.
Masters morreu em 2001, aos 86 anos; Johnson, no mês passada,
aos 88. Apesar de tudo, rapazes e moças fomos mais felizes por causa deles.
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