Mais uma novela (ou resumo, ou minissérie, ou remake) que se foi e que vai ficar
na saudade! Uma novela que misturou o que de melhor aconteceu em cenário
semelhante, tanto no linguajar como nos costumes, "talqualmente" Roque Santeiro
e Bem Amado, aquele estilo rebuscado que mostra a diversidade e a criatividade
de seus autores, porque não dizer, atores!!!
Havia muito "diferencismos", de
uma forma ou de outra os personagens tinham algo muito peculiar de
"superpoderes".
Um senhor todo poderoso, Zico Rosado, que espirrava formiga
pelo nariz; o farmacêutico Cazuza que botava o coração pela boca; a lágrima de
uma "menina", Stela, que fazia milagres; o "corcovento" João Gibão, com suas
asas que permitiam "de volta para o futuro" e ver o que estava acontecendo ou
para acontecer; o senhor de engenho, Tibério, que criou raízes de tanto ficar
sentado; o lobisomem-herói, Professor Aristóbulo, que costumava dar o ar de sua
graça na meia-noite de quinta pra sexta; o homem-cabeça mumificada, Belisário,
guardado dentro de uma redoma de vidro pela esposa Dona Pupu, mãe do
professor-lobisomem, que se comunicava pelos olhos e pelo "gesticular" da
boca.
A namorada de João Gibão, a Marcina, quando fogosa era um fogo (quase
literalmente) só.
Tinha ainda a Dona Redonda, que explodiu de tanto comer e
engordar sem parar, e seu esposo, Seu Encolheu, que previa o tempo de acordo com
a dor que sentia.
A explosão de Dona Redonda foi semelhante a uma bomba
atômica, e, no local onde se deu o "cataclismisma" nasceu uma flor com um imenso
"botão", que fedia a quilômetros, só o Seu Encolheu não se dava conta do
"perfume"!
Tinha, ainda, a Dona Maria Aparadeira, parteira da cidade, que
odiava com todas as forças o João Gibão, mais ainda sua rival Risoleta, tipo
Hilda Furacão, por quem o Cazuza se derretia todo a ponto de largar a parteira
por não concordar com o "odismo exageradista" da ciumenta juramentada.
A
parteira, quem diria, era filha de uma trupe de circo: a mulher barbada, o anão,
sem contar o irmão trapezista por quem (hoje tudo é permitido) o delegado
Petronílio veio a se apaixonar.
Naquelas "plagas" existia uma pendenga
secular entre as famílias Rosado e Vilar (lembrando aquelas lá de Exu, no
Pernambuca). Inimigos figadais, de quatro costados, brigavam pela mudança do
nome da cidade "Bole-Bole". Para manter o nome de tradição, os Rosados, já os
Vilar, mudancistas, queriam "alterar" o nome para Saramandaia, tendo o
judiciário local estabelecido um plebiscito, com data marcada e tudo o mais. O
prefeito (meio em cima do muro), torcia por debaixo dos panos para a escolha de
Saramandaia, prefeito este que viria a ser o futuro esposo da Zélia Vilar,
brigona que só! Ativista de mancheia!
Havia, ainda, uma disputa meio
paralela, meio disfarçada, mas poderia ser a razão de tudo, o nome da cachaça, a
"bole-bole" já tradicional no mercado. passaria a concorrer com a novata e
promissora Saramandaia (até a patente estava em jogo) se esta lograsse êxito na
"eleição".
O "remake" da novela, desta vez, foi mais incisiva na sátira ao
momento político nacional. Lá estavam os "aloprados", na visão de Zico Rosado,
quando se referia aos adversários defensores da mudança, e o "mesadão", uma
alusão ao famigerado mensalão, petista ou tucano, ainda não decidiram o nome
correto (talqualmente o nome da empresa de Táxi Carrara ou Carrara Táxi, do
"empresário" Agos(tinho) Carrara, da "Grande Família". Mesadão bole-bolense?
Saramandista?
O mesadão era uma forma pouco ortodoxa do político profissional
Zico Rosado "comprar" o apoio dos vereadores, inclusive os "aliados"
oportunistas, para reverter para o nome original em contrapartida ao já eleito e
sacramentado Saramandaia.
Lá, como na nossa política matreira e conchavista,
os detentores do poder não querem largar o osso de jeito nenhum. Tudo fazem para
se perpetuarem no poder.
Como não poderia deixar de ser, um assessor
mau-caráter e golpista, Carlito Prata, era figura marcante numa trama tão
ardilosa.
Os patriarcas, Tibério Vilar e Dona Candinha Rosado, que enxotava
galinhas imaginárias, se amavam perdidamente em tempos idos, tomaram rumos
diferentes, passaram a se odiar e a matança de membros da família se tornara
rotina, somente se "juntando" quando bem velhinhos, e, ao morrerem juntos,
beijando e se abraçando, se transformaram num tronco de uma belíssima
árvore.
Os "odiados" do meio, Zico Rosado e Vitória Vilar, outros que se
amavam escondidos, segredo guardado a sete chaves, somente foram se "juntar"
depois da reviravolta final (comum em novelas) e morreram abraçados, e se
beijando, soterrados pelo casarão apodrecido, destruído pelas formigas
"narizentes". E a última geração, os netos Tiago e Stela também se apaixonaram,
se casaram e foram felizes para sempre (o único final feliz da "trama").
Acabaram por unir as famílias.
Para complementar com chave de ourismo, o
padroeiro da cidade era o Santo Dias, homenagem ao Dias Gomes, useiro e vezeiro
desta linguagem altamente "rebuscante"em obras de ficção "ruralista" que ficaram
marcadas pelo preciosismo "desaforante" e contagioso!
Primeiramente,
segundamente e terceiramente, gostei muito!
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