Desemprego baixo e PIBinho aumentam calor da discussão salarial; greves aumentam
desde 2008
O COMÉRCIO ESTÁ preocupado com a greve dos bancários, o
bastante para apelar que a Febraban, a federação dos bancos, chegue logo a um
acordo com os grevistas. A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)
enviou ontem nota oficial aos bancos.
O comércio de cidades pequenas, em
especial as mais pobres, sofre com a falta de dinheiro vivo. Além disso, a CNDL
ressalta que a economia está em "situação delicada".
A greve dos
bancários de 2012 durou dez dias. Os trabalhadores levaram aumento de 7,5%,
acima da inflação de 2011 (6,5%, pelo IPCA) e da inflação acumulada até a
data-base dos bancários (5,2%).
A greve atual completa 16 dias hoje (em
2012, 79,5% das greves no Brasil duraram menos de 15 dias). Os bancos oferecem
reajuste real zero.
Uma greve de bancários mais acirrada, o que quase
todo mundo enxerga, e a visão frequente de conflitos de rua com a política, como
os dos professores do Rio, entre outras evidências anedóticas, podem passar a
impressão de que há mais paralisações.
Não existe balanço nacional
unificado além de 2012, feito pelo Dieese, a instituição que presta regularmente
esse serviço. Em conversas com centrais sindicais, a gente pode ouvir coisas
como "a coisa está ficando mais quente" e só. Quando existem, as estatísticas de
greves são setoriais.
Mas pode ter fundamento a impressão de "calor" de
alguns sindicalistas. O balanço das greves do Dieese mostrou que 2012 teve o
maior número de greves e de horas paradas desde o longínquo 1996. O número de
greves cresceu 58%; o de horas paradas, 37%. Houve mais greves no setor privado
que no público.
O número de greves cai das 1.228 em 1996 (segundo ano de
FHC) para 631 em 1997, vai minguando e fica em torno de 300 por ano entre 2002 e
2008, quando volta a crescer. Desde 2004, o mercado de trabalho melhorou:
salários e formalização crescentes, desemprego em queda. O rendimento médio
continuou a subir após 2008. Mesmo no ano pífio de 2012, a renda do trabalho
cresceu 5,8%. Não é fácil associar dureza econômica e greves.
Nem toda
greve se bate por reajustes, sempre a maior reivindicação (41% dos motivos), mas
também por alimentação, plano de carreira, salários atrasados, condições de
trabalho, assistência médica (entre 27% e 12% dos motivos).
Também é
muito difícil colocar no mesmo balaio greves de trabalhadores em condições tão
díspares quanto os precários que constroem usinas hidrelétricas em Rondônia,
bancários e professores municipais, por exemplo. Enfim, melhorias de renda não
implicam boas condições "absolutas" de vida ou trabalho.
Isto posto,
reitere-se que o número de greves cresceu num período de baixa inédita da taxa
de desemprego. Deu um pulo em 2012, quando o aumento real das categorias
organizadas foi o mais forte desde 2008 (talvez pelo aumento do número de
greves, 75% delas vitoriosas?).
O primeiro semestre de 2013 foi o de
reajustes mais fracos desde 2008. 2013 é o terceiro ano de crescimento econômico
fraco, inflação chata de 6% e produtividade que mal se move. Pode ser que as
empresas estejam endurecendo, num ambiente em que o poder de barganha dos
trabalhadores ainda seja razoável (desemprego baixo).
Nenhum comentário:
Postar um comentário