sábado, 16 de novembro de 2013

Mulher bem sucedida desperta o ciúme e a competição do marido Leniza Castelo Branco

No filme Mulheres Perfeitas, de Frank Oz (67), Joana, personagem vivido por Nicole Kidman (44), é uma alta executiva que perde o emprego. Vai então, com o marido, morar num condomínio de luxo onde todas as mulheres são lindas, louras, amam seus maridos, estão sempre sorrindo, usam vestidos coloridos, fazem bolinhos e se reúnem para falar  coisas inúteis. Joana tem cabelos curtos e pretos, veste-se de preto e nunca cuidou de uma casa. Decide mudar para não terminar o casamento. Tudo corre bem até que o casal descobre que aquelas mulheres são robôs, sofreram implantes de chips no cérebro para sorrir e aceitar tudo. Antes, eram executivas, juízas, médicas, todas mais bem-sucedidas que os maridos. Quando a história vem à tona, um dos maridos diz: “Vocês acham que é bom chegar em casa e esperar sua mulher, ir a uma conferência e ouvir enquanto ela fala, ganhar menos do que ela e vê-la ter mais sucesso profissional que você?” Essa fábula expressa uma realidade: um dos grandes problemas das mulheres bem-sucedidas profissionalmente é lidar com o ciúme e a competição de seus maridos.
É muito difícil para o homem aceitar a mudança de regras tão antigas e já estabelecidas culturalmente. Ele quer a mulher como era a sua mãe, em casa e sempre disponível. Acha que deve ganhar mais, ter o melhor emprego, ser mais inteligente, mais agressivo, reprimir os afetos. São exigências difíceis de cumprir, não são reais, mas é o que ele aprende desde pequeno.
As próprias mulheres, no papel de mães, é que criam esses homens que necessitam ser sempre mimados — como eram por elas. E as mulheres com quem eles vão se relacionar, educadas dentro do mesmo modelo, muitas vezes também se ressentem quando o marido não ganha tanto quanto ou mais do que elas.
Com inveja do sucesso de suas parceiras, muitos homens passam a maltratá-las por pequenas coisas e a desvalorizá-las para se sentirem superiores. E elas também encontram dificuldade em aceitar que os maridos fiquem mais em casa, tenham mais tempo com os filhos, ganhem menos. Algumas passam a considerar o parceiro preguiçoso e deixam de ver as qualidades dele.
Administrar a inversão desses valores tradicionais exige muito amor de ambas as partes e disposição de lidar com as diferenças, mas é possível. Se houver amor, ela não irá usar o fato de ganhar mais para diminuí-lo e ele não se sentirá menos homem por ganhar menos. A inversão de papéis — são apenas papéis, afinal, que podem ser exercidos muito bem pelos dois, mas que, por tradição, foram designados pelo sexo — não a deixará menos  feminina nem o fará menos masculino. Hoje sabemos que certos homens lidam melhor com os sentimentos e com os cuidados da casa do que algumas mulheres e que há mulheres muito femininas trabalhando como executivas, médicas, policiais. No final do filme citado no início deste artigo, um âncora de TV pergunta ao casal que superou  os problemas se eles se consideram perfeitos. A mulher responde que não, que a perfeição é impossível, mas que eles se amam e aprenderam a respeitar um ao outro. O parceiro perfeito é aquele que ama o outro como ele é e está ao seu lado para ajudá-lo, para se divertir junto com ele, para cuidar dele quando for necessário, para compartilhar e para confiar

Nenhum comentário:

Postar um comentário