RIO DE JANEIRO - Convocação para a manifestação de hoje à noite: bermuda e
camiseta branca, óculos muito escuros e bem grandes, bigodes ou barbas falsos e
boné preto. Para a de sábado, 7 de setembro: todos com perucas, verde ou
amarela, e os rostos pintados de azul.
Essas são as novas ordens dos
conhecidos black blocs, preocupados com o calor do verão que se aproxima e
cansados de panos no rosto e máscaras pouco confortáveis. Cada protesto passará
a ter cores e vestimentas diferentes. Basta da ditadura do preto!
Os
parágrafos acima são um exercício de retórica, uma criação ficcional para
exemplificar o quão questionável e insólita é a determinação do Tribunal de
Justiça do Rio que obriga os manifestantes a se identificarem às forças
policiais.
Ainda poderia haver tempo para uma nova decisão judicial que
trocaria a proibição do uso de máscaras por alguma outra...
Por que
qualquer pessoa teria de apresentar documento apenas pelo fato de estar usando
algum adereço?
Baseada em que lei a polícia pode exigir que um cidadão
coloque as suas impressões digitais em plena rua e sem qualquer
motivo?
Quem disse que o manifestante que saiu à rua por algum motivo
quer que sua presença fique registrada?
É evidente que não é por aí que
depredações e vandalismos serão evitados, e seus autores,
identificados.
Serão mesmo as máscaras que impedem a identificação de
quem depreda? Ou são as polícias que falham no modo de investigar e ao não agir
com objetividade e eficiência?
As prisões de ontem foram, aparentemente,
resultado de uma ação de inteligência, que ainda precisa ser analisada com
cuidado, tanto em relação ao que foi feito quanto à forma.
De todo modo,
parece ter mais sentido do que a proibição dos "bailes de máscaras" pelas ruas
da cidade... E quando chegar o Carnaval
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