Todas as religiões monoteístas compartilham da mesma hipótese, só divergindo
em detalhes como o nome do seu deus. E todas têm causado o mesmo dano, em nome
da hipótese.
Não é preciso nem falar no fundamentalismo islâmico, que aterroriza o próprio
islã. Há o fundamentalismo judaico, com sua receita teocrática e intolerante
para a sobrevivência de Israel.
O fundamentalismo cristão, que representa o que há de mais retrógrado e
assustador no reacionarismo americano, e as religiões neopentecostais que se
multiplicam no Brasil, quase todas atuando no limite entre o curandeirismo e a
exploração da crendice.
A Igreja Católica pelo menos dá espetáculos mais bonitos, mas luta para
escapar do obscurantismo que caracterizou sua história nestes 2000 anos, contra
um conservadorismo ainda dominante. A hipótese de Deus não tem inspirado as
religiões a serem muito religiosas.
Há aquela parábola do Dostoievski sobre o encontro do Grande Inquisidor com
Jesus Cristo, que volta à Terra — o filho da hipótese tornado homem — para
salvar a humanidade outra vez, já que da primeira vez não deu certo.
Os dois conversam na cela onde Cristo foi metido por estar perturbando a
ordem pública, e o Grande Inquisidor não demora a perceber que a pregação do
homem ameaçará, antes de mais nada, a própria Igreja, a religião
institucionalizada e os privilégios do poder.
Não me lembro como termina a parábola. Desconfio que, se fosse hoje,
deixariam o Cristo trancado na cela e jogariam a chave fora
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